Advogados de Fabiano Zettel, preso na operação Master, buscam esclarecimentos no Supremo Tribunal Federal sobre a competência para analisar seus pedidos de liberdade. O impasse surge após o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, ter retirado processos da relatoria do ministro André Mendonça, em meio a uma crise interna no STF.
A defesa de Fabiano Zettel, investigado no caso Master e cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, protocolou um pedido nesta quinta-feira (17) para que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, defina qual magistrado é o responsável por analisar os pedidos de soltura do empresário. A solicitação surge em um cenário de incerteza jurídica, após Fachin ter retirado processos da relatoria do ministro André Mendonça, em uma tentativa de conter uma crise na Corte. A medida deixou em aberto a competência para julgar a situação prisional de Zettel e de outros investigados.
Os advogados argumentam que, apesar da mudança de relatoria, o sistema do STF ainda aponta Mendonça como responsável pelo caso, o que gera um conflito e impede a análise dos pedidos de liberdade já apresentados. Diante dessa situação, a defesa solicita que Fachin assuma diretamente a competência para julgar o caso ou indique formalmente o ministro que deverá fazê-lo, a fim de que o apelo por liberdade não permaneça sem avaliação.
Busca por alternativas de soltura
Caso o ministro Fachin aceite analisar o pedido, a defesa de Fabiano Zettel pleiteia a revogação total da prisão preventiva ou a sua substituição por medidas cautelares menos severas, como o uso de tornozeleira eletrônica. Há também um pedido específico de prisão domiciliar humanitária, fundamentado na condição de sua esposa, que está grávida, e na necessidade de cuidados com o filho de apenas dois anos do casal. Os advogados sustentam que a presença do pai é essencial para a dinâmica familiar e que a manutenção da prisão em regime fechado seria desproporcional.
Contexto da prisão e o caso Master
Fabiano Zettel foi preso preventivamente em março de 2026. A Polícia Federal o identifica como um dos principais operadores financeiros de um esquema liderado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito da chamada operação Master. As investigações apontam que Zettel seria o responsável por gerenciar pagamentos e repasses financeiros ilícitos a mando de Vorcaro. Além de sua atuação no esquema, Zettel também exercia a função de pastor em uma igreja, que foi alvo de investigação após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificar movimentações atípicas de R$ 57,1 milhões, sendo R$ 19,2 milhões depositados pelo próprio pastor.
Crise no STF impacta o processo
O caso Master se tornou o epicentro de uma crise interna no STF após o ministro André Mendonça ter tornado público um relatório da Polícia Federal que mencionava relações entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Em retaliação, Moraes incluiu Mendonça em investigações sobre condutas irregulares. Para apaziguar os ânimos, o presidente Edson Fachin interveio, suspendendo decisões e centralizando processos que estavam sob relatoria de ambos os ministros. Essa centralização é o que gerou a atual dúvida sobre quem terá a competência para decidir sobre a liberdade dos envolvidos na operação.
As informações foram reunidas a partir de dados apurados pela equipe de reportagem.
