Governo articula retaliação a partidos do Centrão que declararam apoio a Flávio Bolsonaro
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estuda uma retaliação a partidos do chamado Centrão que anunciaram apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais. O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, informou que está mapeando cargos ocupados por indicados dessas legendas na administração federal, autarquias e estruturas estaduais, com o objetivo de promover exonerações.
A iniciativa surge após tentativas frustradas de manter a neutralidade dessas siglas na disputa eleitoral. Antes do primeiro turno, o presidente Lula havia conversado com dirigentes partidários, solicitando que qualquer decisão sobre um eventual segundo turno fosse previamente discutida com ele. A adesão de União Brasil, PP, Republicanos e Podemos à campanha de Bolsonaro gerou forte reação entre aliados do petista, que passaram a cobrar uma resposta mais contundente.
Em entrevista ao jornal O Globo, Guimarães declarou: “Se depender de mim, vamos fazer uma limpa geral nos cargos e indicações. Quem está com Lula tem que estar com Lula”. A estratégia do governo também prevê explorar o apoio do Centrão a Flávio Bolsonaro para associá-lo a práticas políticas tradicionais e questionáveis, reforçando o discurso de que ele representa o “sistema” e as “velhas lideranças” da política brasileira.
Anteriormente, pelas redes sociais, o ministro já havia criticado a aliança, acusando os partidos de buscarem o controle da máquina pública e agirem como uma “máfia do poder” em favor de Bolsonaro. O levantamento de cargos em questão abrange diversas esferas do poder executivo, buscando desarticular a base de apoio que se formou em torno do adversário.
Manutenção de diálogos estratégicos em estados
Apesar da ameaça de “limpa geral”, o Planalto pretende manter o diálogo com setores específicos dessas legendas em estados considerados estratégicos para a governabilidade. Entre os interlocutores que aliados de Lula esperam preservar estão figuras como o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). No entanto, a fonte indica Arthur Lira como um dos nomes, mas o texto original menciona Hugo Motta (Republicanos-PB) como presidente da Câmara e Davi Alcolumbre como presidente do Senado. Esta reportagem se baseia no texto original que cita Hugo Motta.
Hugo Motta declarou apoio a Lula no primeiro turno e participou de atos eleitorais em seu estado, não endossando publicamente o apoio de seu partido a Flávio Bolsonaro. Davi Alcolumbre também se ausentou da manifestação partidária e atuou para agilizar a tramitação de propostas importantes no Congresso, como a que visa reformular a jornada de trabalho. Na última quinta-feira (8), Motta teria se reunido com Lula em Brasília, confirmando seu apoio ao petista no segundo turno, segundo declarações do próprio presidente.
