Incêndio de grandes proporções atinge prédio na UFPE e apurações são intensificadas
A Polícia Federal (PF) instaurou inquérito para investigar um incêndio que devastou um prédio no campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) na noite da última quarta-feira (7). Este foi o terceiro incidente do tipo na instituição em um período de apenas oito dias, gerando preocupação e apelos por apurações rigorosas. Felizmente, não houve registro de feridos em nenhuma das ocorrências.
O imóvel atingido abrigava, entre outras estruturas, o Núcleo de Pesquisa em Inovação Terapêutica Suely Galdino (Nupit-SG) e diversos laboratórios voltados às áreas de saúde e informática. O local também servia como sede regional do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). A universidade estima que o prejuízo material e científico ultrapasse os R$ 100 milhões, com a perda de dados e materiais cruciais para cerca de 80 dissertações e teses, incluindo pesquisas acumuladas ao longo de duas décadas.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Polícia Federal e pela Universidade Federal de Pernambuco.
Causas ainda desconhecidas e investigações em curso
Tanto a reitoria da UFPE quanto o Corpo de Bombeiros afirmam que a causa do incêndio mais recente ainda é desconhecida e está sob investigação. Em contrapartida, os dois incidentes anteriores já contam com suspeitas levantadas pela própria universidade, embora as autoridades competentes ainda não tenham se pronunciado oficialmente sobre eles.
O primeiro incêndio, ocorrido em 30 de setembro, atingiu um laboratório de pesquisa do Departamento de Física, no Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN). Na ocasião, a suspeita inicial da UFPE apontou para um possível acidente com um forno mufla, equipamento utilizado para aquecimento de substâncias químicas em altas temperaturas. Já o fogo de domingo (4) afetou o Laboratórío de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências (CB). Este incidente, de menor proporção, teria sido iniciado por uma falha em um aparelho de ar-condicionado, destruindo um freezer.
Repercussão e apoio à reconstrução
A notícia dos incêndios gerou forte repercussão e manifestações de solidariedade de outras instituições de ensino superior e órgãos públicos. A Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) cobraram apurações rápidas e rigorosas, destacando a importância do conhecimento científico que pode ser irremediavelmente perdido. A Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) expressou confiança na capacidade da UFPE de se recuperar.
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) se colocou à disposição para auxiliar na busca por recursos e medidas necessárias para a reconstrução do prédio. A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e a Receita Federal também prometeram apoio na recuperação do local afetado. O INPI, por sua vez, comunicou que já busca alternativas para reabrir sua unidade e manter os atendimentos, com servidores atuando remotamente enquanto a estrutura é reorganizada.
O reitor Alfredo Gomes ressaltou a gravidade das perdas, não apenas materiais, mas principalmente científicas, que representam anos de dedicação e pesquisa.
