Ministério da Justiça aciona Polícia Federal para apurar ameaças contra a parlamentar
O Ministério da Justiça e Segurança Pública solicitou à Polícia Federal a abertura de um inquérito para investigar as ameaças de morte e outros crimes virtuais sofridos pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG). A parlamentar, com 21 anos, denunciou ter recebido mensagens ameaçadoras em redes sociais, motivadas por seu posicionamento político durante as eleições presidenciais. Ela relatou ataques de cunho machista, racista e ameaças de estupro, além da exposição pública de seus dados pessoais, o que a levou a desativar sua conta na rede social X (antigo Twitter).
Em um ofício enviado à autoridade policial, o ministério destacou a gravidade das ameaças, mencionando que a deputada eleita recebia mensagens de teor semelhante a cada dois minutos e temia por sua integridade física. Ana Elisa obteve 524 mil votos nas eleições para a Câmara dos Deputados, tornando-se a mulher mais votada da história para o cargo e a mais jovem eleita no país. A parlamentar já havia divulgado prints de algumas das mensagens recebidas, incluindo uma de um usuário que se identificava como membro de um grupo extremista de supremacia branca.
O ofício do Ministério da Justiça ressalta que crimes cometidos pela internet, especialmente aqueles com conteúdo misógino, são de competência federal. A pasta enfatiza que a prática, em tese, configura crime de ameaça contra uma mulher recém-eleita, especificamente por sua atuação política e por contrariar papéis tradicionalmente atribuídos às mulheres. A investigação visa coibir a impunidade em crimes virtuais e garantir a segurança de representantes eleitas.
Crescimento da violência política de gênero no Brasil
Os casos de violência política de gênero têm apresentado um aumento significativo no Brasil. Dados recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam um crescimento de onze vezes entre os anos de 2022 e 2026, com o número de processos saltando de 15 para 177 no período analisado. O Ministério Público Federal (MPF) também registrou um número expressivo de denúncias desde 2018, totalizando 436, sendo mais da metade relacionadas a ofensas morais e violência psicológica.
Em resposta às ameaças, Ana Elisa declarou, pouco antes da eleição, que a internet não seria um território de impunidade. Ela afirmou que registros técnicos podem identificar autores de ameaças e perseguições. “A tentativa de intimidar uma mulher negra para afastá-la da disputa política será respondida com denúncia, investigação e responsabilização”, disse a deputada eleita em nota à imprensa, reforçando seu compromisso com a luta contra a violência e o assédio no ambiente político.
