Plano para o SUS: Convergências e Divergências entre as Campanhas Presidenciais
Em um evento voltado para as propostas de saúde até 2030, os representantes das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro apresentaram visões para o Sistema Único de Saúde (SUS) que compartilham pontos de convergência significativos. Alexandre Padilha, atual Ministro da Saúde e conselheiro de Lula, e Cláudio Lottenberg, médico indicado por Bolsonaro para liderar a pasta em uma eventual eleição, defenderam, em linhas gerais, o fortalecimento da produção nacional de medicamentos e insumos, a ampliação do uso de tecnologias e a integração de dados da rede pública. Ambos também sinalizaram a importância de reformular o modelo de pagamentos, migrando de um sistema por procedimento para um focado no desfecho clínico do paciente.
As informações foram reunidas a partir de declarações em evento organizado pelo canal Amado Mundo com representantes das campanhas presidenciais.
Tecnologia e Produção Nacional em Foco
Lottenberg, por exemplo, propôs aprimorar a integração de dados no SUS, utilizando inteligência artificial para otimizar filas, como as de transplantes, e para identificar pacientes com vacinas ou exames atrasados. Ele também destacou o potencial do mapeamento genético da população brasileira para evitar desperdícios com medicamentos baseados em dados estrangeiros. A defesa da produção local de medicamentos e insumos foi apontada como crucial para a segurança nacional, citando a escassez de respiradores em Manaus durante a pandemia de Covid-19 como um exemplo de fragilidade atual.
Padilha, por sua vez, enfatizou a consolidação de políticas em andamento, como o programa Agora é Especialista, que busca substituir o pagamento fragmentado por procedimento por um valor fixo para um conjunto de serviços. Ele também mencionou a expansão do uso de carretas para atendimentos em regiões remotas, o reforço da rede nacional de cuidado oncológico e a incorporação de medicamentos para emagrecimento ao SUS. O ministro também criticou a postura antivacina e os cortes de recursos em programas como a Farmácia Popular durante o governo anterior.
Diferenças no Discurso e Críticas veladas
Embora as propostas técnicas apresentassem semelhanças, as divergências se manifestaram no tom e nas críticas direcionadas aos adversários. Lottenberg evitou críticas diretas à gestão petista, reconhecendo que parte de suas propostas se alinha a políticas atuais do Ministério da Saúde, como a reformulação do modelo de pagamento. Ele descreveu o SUS como uma “estrutura vitoriosa” a ser aperfeiçoada, sem necessidade de uma “reforma” profunda. Padilha, ao contrário, direcionou críticas à gestão anterior, mencionando especificamente a postura antivacina e os cortes de recursos.
Apesar das diferenças discursivas, interlocutores de Padilha apontam uma relação amistosa entre ele e Lottenberg, relembrando que o médico já foi cotado para vice em uma chapa de Padilha em 2014. No evento, no entanto, Padilha não mencionou o nome de Lottenberg.
Outras Propostas para o SUS
O evento também contou com a participação de representantes de outras candidaturas. Luiz Henrique Mandetta, representando Ronaldo Caiado (PSD), defendeu a divisão do SUS por regiões de saúde para um planejamento mais eficaz de recursos e serviços. Felipe Roth, da candidatura de Renan Santos (Missão), apresentou o projeto “SUS fila zero”, focado na organização de filas com base na gravidade das doenças. Adriana Ventura, por parte de Romeu Zema (Novo), propôs a contratação de leitos ociosos em hospitais privados e a melhoria na gestão dos recursos federais, além de defender o pagamento por desfecho clínico.
