Estudo da Sociedade Brasileira de Cardiologia revela preocupante índice de hipertensão entre jovens brasileiros.
Uma pesquisa preliminar conduzida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) aponta que 28,3% das crianças e adolescentes avaliados, com idades entre 7 e 18 anos, apresentaram níveis de pressão arterial compatíveis com hipertensão. Adicionalmente, 11,6% dos participantes foram classificados como pré-hipertensos, indicando uma tendência preocupante para o desenvolvimento da doença. Os dados foram apresentados durante o 81º Congresso Brasileiro de Cardiologia, no Rio de Janeiro.
O levantamento, parte do programa Brasil Coração Saudável e com apoio da Sociedade Europeia de Cardiologia, analisou 6.092 estudantes de 38 escolas em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Os resultados preliminares, coletados entre junho e outubro deste ano, destacam a necessidade de atenção a fatores de risco cardiovascular desde a infância e adolescência.
Excesso de peso e obesidade como fatores de risco
Um dos achados mais relevantes do estudo é a alta incidência de excesso de peso e obesidade entre os jovens. Um terço dos participantes, o equivalente a 33,1%, estava com sobrepeso (19,5%) ou obesidade (13,6%). A pesquisa demonstrou uma correlação direta entre o peso corporal e a pressão arterial: a proporção de estudantes hipertensos aumentou significativamente com o ganho de peso. Enquanto 22,6% dos jovens com peso adequado apresentaram pressão alta, o índice subiu para 30,1% entre os com sobrepeso e disparou para 48,4% entre os obesos.
A hipertensão arterial também se mostrou presente nas faixas etárias mais jovens. Na triagem, 30,2% das crianças de 7 a 10 anos apresentaram valores elevados de pressão. O percentual foi de 23,6% para o grupo de 11 a 14 anos e atingiu 34% entre os adolescentes de 15 a 18 anos, indicando que o problema não se restringe a idades mais avançadas.
Outros indicadores e estilo de vida sob análise
Além do peso, a pesquisa avaliou outros marcadores de risco cardiovascular, como a gordura abdominal. Jovens com uma relação entre a circunferência da cintura e a altura acima de 0,5 tiveram 40,6% de chance de apresentar pressão arterial elevada, em contraste com 24,4% daqueles com medidas dentro do padrão adequado. O estresse percebido pelos estudantes também foi investigado, com 12,7% relatando níveis intensos em casa e 12,5% na escola.
O sedentarismo é outro ponto de preocupação. A maioria dos estudantes (66%) pratica atividades físicas na escola por apenas uma a duas horas semanais, um tempo consideravelmente inferior à recomendação de 60 minutos diários de atividade moderada a vigorosa estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Resultados preliminares e próximos passos
Os pesquisadores ressaltam que os resultados de pressão arterial obtidos são de triagem e não configuram um diagnóstico definitivo de hipertensão. A confirmação da condição em crianças e adolescentes requer avaliações adicionais em consultas médicas posteriores. O programa Brasil Coração Saudável tem como meta alcançar 12.422 participantes em sua primeira fase, e até o momento, atingiu 49% desse objetivo.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.