Justiça Eleitoral e gigante da tecnologia lançam iniciativa para combater desinformação visual
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou nesta quarta-feira (26) uma colaboração inédita com o Google para coibir o uso de deepfakes e conteúdos sintéticos que possam prejudicar a imagem de candidatos. A iniciativa incentiva a utilização da ferramenta Detecção por Semelhanças do YouTube (Likeness ID) por postulantes a cargos públicos nas eleições de 2026, buscando identificar e combater a disseminação de material manipulado por inteligência artificial (IA).
A ferramenta, criada em 2025, funciona como um scanner para rastrear materiais sintéticos e deepfakes que explorem indevidamente a imagem de concorrentes. O presidente do TSE, ministro Nunes Marques, destacou que, embora a tecnologia não substitua a fiscalização humana e os mecanismos de controle já existentes, ela amplia significativamente a capacidade de rastreio de conteúdos prejudiciais à honra e à imagem dos envolvidos no pleito. Fábio Coelho, presidente do Google Brasil, reforçou a importância da cooperação para a promoção de eleições seguras e a redução da disseminação de materiais difamatórios e enganosos.
“Nós avaliamos cada denúncia com base nas políticas de privacidade do YouTube e, em caso de qualquer violação, o conteúdo é removido. Essa proteção vale para todo mundo, mas é ainda mais essencial para as mulheres, que costumam ser as maiores vítimas de ataques à imagem durante as eleições”, afirmou Coelho. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelo Google.
Como funciona a proteção contra deepfakes no YouTube
Para se beneficiar da ferramenta Likeness ID, os candidatos precisam ter uma conta no YouTube e acessar a área específica de detecção por semelhança dentro do YouTube Studio. Caso ainda não possuam um registro, é possível criar uma conta exclusiva para utilizar o serviço. Após a aceitação dos termos de uso, o candidato deve submeter um documento oficial e realizar um cadastro biométrico, que inclui fotos e vídeos, para comprovar sua identidade.
Com base nesses dados, o sistema do YouTube gera uma assinatura biométrica única da aparência do candidato. O processo de identificação biométrica pode levar até dois dias para ser concluído. Uma vez registrada, a plataforma realiza varreduras automáticas em todos os conteúdos publicados na rede social. Ao identificar vídeos que reproduzam a imagem do candidato de forma indevida, o sistema notifica o usuário.
Ao receber uma notificação, o candidato tem a oportunidade de analisar o conteúdo suspeito. Caso confirme que houve uso não autorizado e indevido de sua imagem, ele poderá solicitar a remoção do vídeo. A denúncia será então avaliada pela equipe do YouTube, com base nas políticas de privacidade da plataforma. Se for constatada uma violação das diretrizes, o vídeo será retirado do ar, reforçando o compromisso em manter um ambiente digital mais seguro para o processo eleitoral.
