Medicamento para asma da AstraZeneca mostra eficácia contra inflamação crônica no esôfago
Medicamento para asma da AstraZeneca mostra eficácia contra inflamação crônica no esôfago

Medicamento para asma da AstraZeneca mostra eficácia contra inflamação crônica no esôfago

AstraZeneca anuncia resultados positivos de estudo com Tezspire para esofagite eosinofílica A farmacêutica AstraZeneca divulgou nesta quinta-feira (27) que seu medicamento para asma, Tezspire, demonstrou atingir os principais objetivos em um estudo de estágio avançado. A pesquisa focou em pacientes com esofagite eosinofílica, um distúrbio inflamatório crônico do esôfago. Os resultados representam um avanço significativo […]

Resumo

AstraZeneca anuncia resultados positivos de estudo com Tezspire para esofagite eosinofílica

A farmacêutica AstraZeneca divulgou nesta quinta-feira (27) que seu medicamento para asma, Tezspire, demonstrou atingir os principais objetivos em um estudo de estágio avançado. A pesquisa focou em pacientes com esofagite eosinofílica, um distúrbio inflamatório crônico do esôfago. Os resultados representam um avanço significativo para a empresa, que tem enfrentado desafios em seu portfólio de medicamentos em desenvolvimento.

O estudo revelou que o Tezspire, desenvolvido em parceria com a Amgen, reduziu consideravelmente a inflamação esofágica e aliviou a dificuldade em engolir quando comparado a um placebo, após 52 semanas de tratamento. A esofagite eosinofílica afeta mais de 470 mil pessoas nos Estados Unidos, segundo dados divulgados.

Como o Tezspire atua no tratamento

O Tezspire é classificado como um anticorpo monoclonal, uma proteína produzida em laboratório que imita a ação dos anticorpos naturais do corpo para combater patógenos e células doentes. Seu mecanismo de ação visa bloquear a proteína TSLP, um dos gatilhos iniciais da cascata inflamatória. Essa proteína está associada à inflamação em doenças ligadas aos eosinófilos, um tipo de glóbulo branco, e também à asma grave.

Arjan Bredenoord, pesquisador principal do estudo, destacou à Reuters que o intervalo de quatro semanas entre as doses do Tezspire confere ao medicamento uma vantagem competitiva em relação a outras terapias disponíveis. Atualmente, os tratamentos existentes visam outras proteínas e podem não ser tão eficazes em doenças inflamatórias desencadeadas pelo epitélio, conforme comunicado pela AstraZeneca.

Pacientes com esofagite eosinofílica frequentemente utilizam esteroides tópicos e medicamentos para reduzir a acidez gástrica, além de restrições alimentares. Durante o estudo, foi permitido que os participantes continuassem com seus tratamentos de base, o que permite avaliar o efeito adicional do Tezspire.

Contexto e perspectivas futuras

O Tezspire já possui aprovação em diversos países como tratamento adjuvante para asma grave e compete diretamente com o Dupixent, um medicamento de sucesso da Sanofi e Regeneron. Em 2023, o Tezspire gerou vendas de aproximadamente US$ 1,13 bilhão (R$ 5,6 bilhões) para a AstraZeneca e US$ 1,48 bilhão (R$ 7,6 bilhões) para a Amgen.

Embora este resultado positivo possa restaurar parte da confiança dos investidores no portfólio da AstraZeneca, a empresa ainda enfrenta escrutínio devido a recentes falhas em estudos e obstáculos regulatórios. A atenção do mercado permanece voltada para os resultados de dois estudos sobre câncer, considerados mais cruciais para as perspectivas de crescimento e valorização das ações da companhia.

A meta da AstraZeneca, sob a liderança do CEO Pascal Soriot, é alcançar US$ 80 bilhões (R$ 413 bilhões) em vendas anuais até 2030, com o lançamento de até 20 novos medicamentos. No entanto, a empresa tem enfrentado desafios, como o fracasso do medicamento Wainua para doenças neurológicas em julho, e resultados decepcionantes em estudos avançados do Ultomiris para doenças raras e do camizestrant para câncer de mama. Mais recentemente, um estudo avançado do volrustomig para câncer de pulmão foi interrompido por ser improvável que atingisse seu objetivo principal.

As ações da empresa registraram queda de 0,6% às 11h14 GMT desta quinta-feira, acumulando uma desvalorização de 14% desde o anúncio do fracasso do estudo do Wainua. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Reuters.

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