Ações conflitantes do Tesouro e do Fed criam turbulência nos mercados financeiros
Washington, EUA – Duas figuras-chave na economia americana, o Secretário do Tesouro Scott Bessent e o presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, têm gerado um clima de incerteza nos mercados globais. Suas decisões, tomadas em um curto intervalo de tempo, apontam para direções distintas e levantam preocupações sobre a trajetória futura dos juros e da inflação nos Estados Unidos, com potenciais reflexos em economias ao redor do mundo, incluindo o Brasil.
Bessent e Warsh, ambos amigos de longa data e com o renomado investidor Stanley Druckenmiller como mentor comum, encontram-se semanalmente para discutir os rumos da economia. No entanto, a comunicação recente de ambos tem gerado mais dúvidas do que segurança entre os agentes econômicos globais. As informações foram reunidas a partir de análises de mercado e declarações públicas dos envolvidos.
Aposta arriscada do Tesouro em recompras de títulos
A semana passada foi marcada por uma surpresa vinda do Tesouro: Scott Bessent anunciou um plano para dobrar as recompras de títulos de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. O objetivo declarado é aliviar a pressão sobre os juros de dez a 30 anos, em um momento em que a dívida federal americana ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões. Contudo, o efeito inicial da medida foi efêmero, com os juros de 30 anos, após uma breve queda, voltando a subir no final da semana. Bessent sinalizou, ainda, que as recompras poderiam ser ampliadas.
A iniciativa não foi bem recebida por todos. O investidor Stanley Druckenmiller criticou a manobra, classificando-a como um erro. Outros economistas e investidores apontam que o precedente é mais preocupante do que o volume da operação: o Tesouro, tradicionalmente influenciado pela política monetária do Fed, estaria tentando intervir diretamente no preço dos títulos de longo prazo, cuja formação de preço é majoritariamente ditada pelo mercado.
O silêncio estratégico de Warsh no Fed
Do lado do Federal Reserve, Kevin Warsh, que assumiu a presidência em maio, prometeu uma comunicação mais reservada. Ele optou por reduzir o uso de indicações explícitas sobre os próximos passos da política monetária, o chamado
