Polícia Federal investiga suposta sociedade informal entre Lulinha e empresários
A Polícia Federal (PF) abriu uma investigação para apurar se Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, manteve uma sociedade informal e oculta com os empresários Fernando Bittar e Roberta Luchsinger. O foco da apuração recai sobre a suposta obtenção de vantagens privadas e a facilitação de contratos no governo federal, utilizando-se de influência política. A investigação ganha contornos mais relevantes pela conexão com Fernando Bittar, que é o proprietário formal do sítio em Atibaia frequentado pela família do ex-presidente Lula.
Os investigadores reuniram indícios que sugerem que Lulinha, Bittar e Luchsinger atuavam em conjunto para obter benefícios privados. A PF descreve essa dinâmica como uma aparente sociedade informal, onde o grupo utilizaria o livre acesso a nomes de alto escalão do governo federal para facilitar a obtenção de contratos públicos e promover alterações legislativas em favor de negócios específicos. Essa atuação, segundo a polícia, ultrapassaria os limites éticos do lobby tradicional, com a expectativa de retornos financeiros pelas articulações.
Fernando Bittar, um dos donos do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia, volta a figurar como peça central nesta nova fase de investigações, em virtude de sua antiga relação comercial e pessoal com Lulinha. O sítio já havia sido alvo de polêmica durante a Operação Lava Jato, por ser frequentado pela família Lula, apesar de estar registrado em nome de Bittar e Jonas Suassuna. Agora, a PF busca determinar se essa relação privilegiada e o histórico de parcerias de negócios foram novamente explorados para influenciar órgãos públicos federais e viabilizar interesses empresariais.
Diálogos revelam articulações na área da Saúde
As apurações detalham trocas de mensagens que indicam a atuação do grupo na área da Saúde. Em um dos diálogos, Roberta Luchsinger menciona a necessidade de colocar “Fábio em cima do Berge”, referindo-se a Lulinha e a Swedenberger Barbosa, que na época ocupava o cargo de número dois no Ministério da Saúde. O objetivo seria viabilizar um contrato para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol para o Sistema Único de Saúde (SUS), por meio de uma empresa ligada a Antonio Carlos Fagundes. Além disso, a PF identificou pagamentos realizados por Roberta, totalizando aproximadamente R$ 250 mil, para cobrir despesas pessoais de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete da Presidência.
Defesas negam irregularidades e criticam atuação da PF
A defesa de Lulinha nega veementemente qualquer prática de tráfico de influência. Argumenta que ele reside na Espanha e não possui vínculos com negócios no Palácio do Planalto. Os advogados de Lulinha também criticam a conduta de setores da PF, apontando para motivações políticas nas investigações. Por sua vez, o ex-chefe de gabinete Marcola admitiu ter recebido valores de Roberta Luchsinger, mas alega que os pagamentos se referiam a um empréstimo pessoal já quitado, acrescido de juros. Diante das alegações de vazamento de dados sigilosos, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, determinou a abertura de uma apuração para investigar a conduta de funcionários públicos envolvidos.
As informações foram reunidas a partir de dados apurados pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
