Primeira morte por Febre do Nilo Ocidental (FNO) em Santa Catarina acende alerta no Brasil
A confirmação da primeira morte por Febre do Nilo Ocidental (FNO) em Santa Catarina, no Brasil, nesta semana, trouxe à tona a atenção para uma doença ainda pouco conhecida no país. A vítima, uma idosa de 77 anos, é o segundo caso registrado na história do estado. Além dela, há outros dois casos confirmados em São Paulo e um sob investigação no Piauí, conforme informações do Ministério da Saúde. A FNO, na maioria das vezes assintomática e sem gravidade, é contraída pela picada de mosquitos infectados. Casos raros, contudo, podem evoluir para quadros neurológicos graves como meningite ou encefalite, e em situações ainda mais raras, levar à paralisia flácida aguda.
Atualmente, não existem vacinas nem tratamentos específicos para a FNO, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). As medidas de controle se limitam ao manejo dos sintomas e ao suporte hospitalar para pacientes em estado grave. O Ministério da Saúde segue investigando a origem e a forma de contágio dos casos no Brasil.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela DW.
Vírus do Nilo Ocidental avança pela Europa com 12 mortes registradas
Enquanto o Brasil monitora os casos de FNO, a Europa enfrenta uma expansão significativa do vírus. Até o momento, a doença já foi detectada em 12 países europeus, um aumento em relação ao ano anterior. Itália e Grécia lideram o número de infecções, com centenas de casos reportados. Em 21 regiões do continente, houve o registro inédito da doença, que geralmente atinge seu pico em períodos de temperaturas amenas, favoráveis à proliferação de mosquitos.
Até o início de agosto, foram contabilizadas 12 mortes na Europa devido à FNO. A Holanda registrou sua primeira morte pelo vírus nesta semana, o primeiro óbito no país. Na Alemanha, onde o patógeno foi identificado pela primeira vez em 2018 em aves e cavalos, o vírus tem sido detectado repetidamente em humanos desde 2019, especialmente na região leste do país.
Entendendo a Febre do Nilo Ocidental e sua transmissão
A Febre do Nilo Ocidental é uma infecção viral transmitida principalmente pela picada de mosquitos do gênero Culex. Na grande maioria dos infectados, a doença é assintomática. Em cerca de 20% dos casos, surgem sintomas semelhantes aos da gripe, como febre, dor de cabeça e dores musculares, que geralmente desaparecem em poucos dias. Uma parcela menor, estimada em 1% dos infectados, desenvolve quadros neurológicos graves, que podem deixar sequelas permanentes e, em 5% a 10% desses casos neuroinvasivos, levar à morte.
O ciclo de transmissão do vírus envolve aves silvestres como reservatório principal. Mosquitos infectados ao picarem essas aves transmitem o vírus entre si e, posteriormente, podem infectar mamíferos, incluindo cavalos e seres humanos. É importante notar que, embora cavalos e humanos possam ser infectados, eles não se tornam fontes de transmissão para mosquitos, pois o vírus não se multiplica eficientemente nesses hospedeiros.
Mudanças climáticas e a expansão de doenças transmitidas por mosquitos
Especialistas apontam as mudanças climáticas como um dos principais fatores para a expansão de doenças transmitidas por mosquitos, como a FNO e a dengue. O aumento das temperaturas globais prolonga o período de atividade dos mosquitos, acelera seu ciclo de vida e favorece a reprodução em locais antes inóspitos. Além disso, a maior incidência de chuvas, aliada ao calor, cria condições ideais para a multiplicação desses insetos.
O aquecimento global também influencia a capacidade do vírus de se multiplicar dentro do mosquito e atingir suas glândulas salivares, aumentando a eficiência da transmissão. A introdução de espécies de mosquitos vetores em novas regiões, como o mosquito-tigre asiático (Aedes albopictus) na Europa, que também pode transmitir dengue e chikungunya, agrava o cenário, permitindo a circulação local dessas doenças.
Biodiversidade como aliada na prevenção
Paradoxalmente, a perda de biodiversidade, que deveria garantir estabilidade em ecossistemas, pode contribuir para o aumento da densidade de mosquitos e a circulação de patógenos. Estudos indicam que ecossistemas com maior diversidade de espécies tendem a apresentar menor incidência de doenças. Isso ocorre porque a multiplicidade de hospedeiros dilui a concentração de patógenos específicos, reduzindo a carga viral em um determinado local.
Medidas de proteção contra a Febre do Nilo Ocidental
Diante da ausência de vacinas e tratamentos específicos, a principal forma de prevenção contra a FNO é evitar a picada de mosquitos. O uso de roupas que cubram a maior parte do corpo, a instalação de telas em janelas e portas, e o uso de mosquiteiros são medidas eficazes. Além disso, é fundamental eliminar focos de água parada em residências e jardins, como vasos de plantas e recipientes, que servem como criadouros para os mosquitos. A promoção da biodiversidade em áreas urbanas e rurais, com a presença de predadores naturais de mosquitos como morcegos, sapos e aranhas, também pode contribuir para o controle populacional desses insetos.
