Exercício físico não anula danos do cigarro, alerta Inca
Exercício físico não anula danos do cigarro, alerta Inca

Exercício físico não anula danos do cigarro, alerta Inca

Campanha do Inca desmistifica ideia de que atividade física compensa o fumo e incentiva abandono do tabaco. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou uma campanha de conscientização alertando que a prática regular de atividade física não é capaz de neutralizar os prejuízos à saúde causados pelo consumo de cigarros e outros produtos que contêm […]

Resumo

Campanha do Inca desmistifica ideia de que atividade física compensa o fumo e incentiva abandono do tabaco.

O Instituto Nacional de Câncer (Inca) lançou uma campanha de conscientização alertando que a prática regular de atividade física não é capaz de neutralizar os prejuízos à saúde causados pelo consumo de cigarros e outros produtos que contêm tabaco e nicotina. A iniciativa, que coincide com o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de maio, visa combater a crença equivocada de que exercícios físicos podem servir como um escudo contra os malefícios do fumo.

A campanha, intitulada “Atividade física e saúde: treinar não combina com fumar”, será veiculada nas redes sociais do Inca e do Ministério da Saúde. Seu objetivo principal é desmistificar a ideia de que a prática esportiva pode compensar os danos provocados pelo tabagismo. Paralelamente, a campanha busca encorajar a atividade física como uma ferramenta de apoio fundamental para aqueles que desejam parar de fumar.

Os dados apresentados pelo Inca são alarmantes: cerca de 477 mortes prematuras ocorrem diariamente no Brasil em decorrência de doenças associadas ao tabagismo. O instituto também expressa preocupação com a crescente oferta e popularidade de produtos como cigarros eletrônicos e sachês de nicotina. Embora frequentemente apresentados como alternativas menos nocivas ao cigarro tradicional, esses produtos também geram dependência e acarretam sérios riscos à saúde, além de terem sua comercialização proibida no país.

Incompatibilidade entre saúde e consumo de nicotina

Roberto Gil, diretor-geral do Inca, enfatizou durante o lançamento virtual da campanha a incompatibilidade entre um estilo de vida saudável e o uso de qualquer produto que entregue nicotina. “É incompatível ser saudável e fazer uso desses produtos nas suas diferentes formas de entrega de nicotina. A gente fala do tabaco, mas o nicotinismo cada vez mais ganha espaço com essas diferentes formas que a indústria tem de perpetuar a escravidão pela nicotina”, declarou.

Vera Lúcia Gomes Borges, da Divisão de Controle do Tabagismo e Outros Fatores de Risco do Inca, reforçou que mesmo fumantes que se dedicam a atividades físicas regularmente não estão isentos dos riscos inerentes ao consumo de tabaco e nicotina. “Essas pessoas fazem atividade física acreditando que, mesmo sendo fumantes, reduzem o risco de adoecimento. Mas não. Qualquer uma dessas formas de produto vai trazer prejuízos à saúde, e todos os ganhos obtidos com a atividade física regular serão comprometidos”, explicou.

Impactos do cigarro no desempenho físico e na saúde

O tabagismo não apenas compromete a saúde geral, mas também afeta negativamente o desempenho em atividades físicas. A nicotina, por exemplo, causa a contração dos vasos sanguíneos, o que resulta na diminuição do fluxo de sangue para músculos e órgãos, reduzindo a capacidade do sangue de transportar oxigênio. Adicionalmente, o fumo inflama as vias aéreas, aumentando o esforço necessário para a realização de exercícios.

Os efeitos dessa combinação podem se manifestar como menor resistência, fadiga precoce, recuperação mais lenta após o exercício e um risco aumentado de complicações cardiovasculares, especialmente durante atividades de maior intensidade. A campanha, contudo, ressalta um aspecto positivo: a atividade física pode ser uma poderosa aliada para quem busca abandonar o vício.

Atividade física como aliada na cessação do tabagismo

Durante o processo de parar de fumar, a prática de exercícios físicos demonstra ser eficaz na redução da vontade de fumar e no alívio dos sintomas de abstinência, como ansiedade, irritabilidade, alterações de humor e insônia. Além disso, a atividade física contribui significativamente para a melhora da autoestima e da confiança, fatores cruciais para a manutenção da decisão de se manter livre do cigarro.

Nos primeiros dias e semanas após a interrupção do consumo, é comum o surgimento de sintomas como fissura, ansiedade, irritabilidade, alterações de humor, insônia, aumento do apetite e dificuldade de concentração. O Inca destaca que os exercícios estimulam a liberação de substâncias associadas a sensações de prazer e bem-estar, auxiliando o indivíduo a transpor essa fase desafiadora. Mesmo práticas aeróbicas de curta duração, como caminhada, corrida, dança ou natação, podem diminuir temporariamente o desejo de fumar.

Preocupação com novos produtos e o público jovem

A campanha também direciona seus esforços para o público jovem, que tem sido alvo da experimentação de dispositivos eletrônicos de fumar e outros produtos à base de nicotina. O Inca alerta que a indústria do tabaco tem investido na associação desses produtos a uma imagem positiva, muitas vezes ligando-os ao universo do esporte e do condicionamento físico. Roberto Gil expressou preocupação com o avanço dessas novas formas de consumo de nicotina, que ameaçam as conquistas obtidas no combate ao tabagismo, ressaltando a necessidade de fornecer informações confiáveis sobre os riscos aos jovens.

Tratamento gratuito para parar de fumar pelo SUS

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar. O primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para agendar uma consulta. A equipe de saúde realizará uma avaliação e poderá encaminhar o paciente para acompanhamento individual ou em grupo. Em casos indicados, o SUS também disponibiliza medicamentos, como adesivos de nicotina e bupropiona, para auxiliar no controle da abstinência. Essas ações integram o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), uma iniciativa coordenada pelo Ministério da Saúde e pelo Inca.

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