Novartis suspende testes de terapia celular para doenças autoimunes após mortes de pacientes
Novartis suspende testes de terapia celular para doenças autoimunes após mortes de pacientes

Novartis suspende testes de terapia celular para doenças autoimunes após mortes de pacientes

Novartis interrompe ensaios clínicos de terapia experimental para doenças autoimunes após mortes de três pacientes. A farmacêutica suíça Novartis anunciou a suspensão temporária dos testes clínicos de sua terapia celular experimental, conhecida como rap-cel (rapcabtagene autoleucel) ou YTB323, destinada ao tratamento de doenças autoimunes. A decisão foi tomada após a ocorrência de três mortes entre […]

Resumo

Novartis interrompe ensaios clínicos de terapia experimental para doenças autoimunes após mortes de três pacientes.

A farmacêutica suíça Novartis anunciou a suspensão temporária dos testes clínicos de sua terapia celular experimental, conhecida como rap-cel (rapcabtagene autoleucel) ou YTB323, destinada ao tratamento de doenças autoimunes. A decisão foi tomada após a ocorrência de três mortes entre os pacientes participantes dos estudos. A empresa informou, em comunicado nesta terça-feira (1º), que interrompeu a inclusão de novos pacientes e o tratamento em andamento enquanto investiga os eventos de segurança. A terapia CAR-T, como é classificada, tem como objetivo ‘reiniciar’ o sistema imunológico, mas as mortes levantam questões sobre o perfil de risco em doenças crônicas.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Bloomberg e Endpoints News.

Risco de Síndrome Hemofagocítica é fator de preocupação

Segundo a Novartis, os pacientes que faleceram apresentaram reações graves associadas à síndrome hemofagocítica associada a células efetoras imunes (IEC-HS). Essa condição é um efeito colateral conhecido das terapias com células CAR-T e pode levar a complicações potencialmente fatais. A potência dessas terapias, que as torna atraentes para reconfigurar o sistema imunológico, também gera preocupação quanto à aceitabilidade dos riscos em doenças autoimunes crônicas, que não são imediatamente letais como alguns tipos de câncer. Para doenças oncológicas, as terapias CAR-T são frequentemente aprovadas para pacientes em estágio avançado, onde a relação benefício-risco pode ser diferente.

Bristol Myers Squibb adota precaução semelhante

Em uma medida paralela, a Bristol Myers Squibb informou que suspendeu voluntariamente os testes de seu tratamento CAR-T para doenças autoimunes, o zola-cel, por ‘excesso de cautela’. A empresa relatou a observação de eventos inflamatórios transitórios e reversíveis durante o monitoramento de rotina do estudo. Ambas as empresas estão trabalhando para aprimorar o monitoramento e a identificação precoce de efeitos colaterais, buscando retomar os ensaios clínicos o mais rápido possível. A suspensão não afeta os testes de rap-cel em pacientes com câncer, segundo a Novartis.

Notícias positivas sobre esclerose múltipla impulsionam ações da Novartis

Apesar do revés nos testes para doenças autoimunes, as ações da Novartis apresentaram alta significativa em Zurique após o anúncio separado do sucesso de seu comprimido experimental para esclerose múltipla, o remibrutinibe. Em dois estudos de fase avançada, o medicamento demonstrou reduzir recaídas e lesões cerebrais em comparação com a teriflunomida, sem sinais de toxicidade hepática. O remibrutinibe, um inibidor de BTK, pode representar um novo tratamento oral para a doença neurológica crônica e um sucessor para a linha de produtos Kesimpta da empresa, aumentando a concorrência no mercado, que atualmente inclui players como Roche.

Impacto no futuro das terapias CAR-T para doenças autoimunes

A suspensão dos testes de terapias CAR-T para doenças autoimunes pode afetar a percepção geral sobre o uso dessa classe de tratamento em condições imunológicas. Enquanto a tecnologia CAR-T já é utilizada em diversos tipos de câncer, sua aprovação para doenças autoimunes ainda não ocorreu. O caso da Novartis e da Bristol Myers Squibb lança luz sobre a necessidade de um padrão de segurança ainda mais rigoroso para doenças crônicas, onde os riscos associados a terapias potentes precisam ser cuidadosamente ponderados em relação aos benefícios a longo prazo. A esclerose múltipla, uma doença autoimune que afeta cerca de 2,9 milhões de pessoas globalmente, é um exemplo das condições que poderiam se beneficiar de novas abordagens terapêuticas, mas a segurança permanece como um fator primordial.

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