Menino de 6 anos recebe alta após imunoterapia contra recaída de leucemia
Menino de 6 anos recebe alta após imunoterapia contra recaída de leucemia

Menino de 6 anos recebe alta após imunoterapia contra recaída de leucemia

O menino Miguel Lopes Manoel, de 6 anos, celebrou sua alta hospitalar no final de junho, após concluir uma etapa crucial de imunoterapia contra a leucemia linfoblástica aguda. A batalha contra a doença, que o manteve internado por nove meses, ganhou um novo capítulo com o uso do blinatumomabe, um medicamento que representa um avanço […]

Resumo

O menino Miguel Lopes Manoel, de 6 anos, celebrou sua alta hospitalar no final de junho, após concluir uma etapa crucial de imunoterapia contra a leucemia linfoblástica aguda. A batalha contra a doença, que o manteve internado por nove meses, ganhou um novo capítulo com o uso do blinatumomabe, um medicamento que representa um avanço no tratamento oncológico pediátrico. Miguel é o primeiro paciente infantil do Hospital do Servidor Público Estadual (Iamspe) a receber o tratamento com o fármaco, que também está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

A leucemia é o tipo de câncer mais comum em crianças e adolescentes no Brasil. No caso de Miguel, a doença, um subtipo de células B da leucemia linfoblástica aguda, retornou após um período de remissão. A recaída foi percebida pela família através de petéquias, pequenas manchas na pele que indicavam uma queda nas plaquetas, um sinal característico da doença. A mãe, Helaine Marineis, relatou o receio inicial ao notar os sintomas, que se somaram a dores nas pernas e uma mudança no comportamento do filho.

O tratamento com blinatumomabe foi fundamental para a recuperação de Miguel. Diferente da quimioterapia tradicional, a imunoterapia age de forma mais específica, direcionando as células de defesa do próprio corpo, os linfócitos T, a atacar as células leucêmicas. “O remdio vai direto só nessas células residuais de leucemia. Então ele não machuca o paciente. Isso é o mais interessante de tudo”, explicou a oncologista pediátrica Geisa Souza, que acompanha Miguel no Iamspe. A médica destacou que o tratamento reduziu o risco de infecções graves e a necessidade de internações em UTI, além de melhorar a qualidade de vida do menino, que recuperou o apetite e a disposição para brincar.

O blinatumomabe, aprovado em 2022 pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), foi disponibilizado na rede pública no final de 2024. No entanto, o acesso ao medicamento pelo SUS para casos de recaída de leucemia linfoblástica aguda de células B é restrito a pacientes com recidiva medular de alto risco, geralmente aquelas que ocorrem até seis meses após o fim do tratamento inicial. Como a recaída de Miguel foi tardia, ele não se enquadraria nos critérios atuais do SUS para o medicamento, o que ressalta a importância do tratamento via Iamspe.

A leucemia linfoblástica aguda, especialmente o subtipo de células B, é o mais frequente em crianças. O tratamento padrão inicial envolve quimioterapia por cerca de dois anos. Contudo, quando a doença retorna, o prognóstico se torna mais complexo e o tratamento mais desafiador, muitas vezes exigindo terapias mais intensas e, em alguns casos, transplante de medula óssea. O blinatumomabe, ao aumentar a resposta ao tratamento, pode otimizar as chances de sucesso, seja preparando o paciente para um transplante mais seguro ou até mesmo evitando a necessidade dele.

Apesar das longas internações e do impacto da doença, Miguel manteve uma visão positiva, fazendo amizades com a equipe médica e encarando o hospital como um lugar de aprendizado. Ao receber alta, o menino já planejava retomar sua rotina, reencontrar seus gatos e, finalmente, realizar o prometido passeio ao mar. Seu acompanhamento ambulatorial continua, com sessões de radioterapia ainda previstas. Especialistas indicam que, mesmo após a recaída, a chance de cura para casos como o de Miguel gira em torno de 80%.

A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) defende a incorporação do blinatumomabe desde o tratamento inicial da leucemia infantil, argumentando que isso poderia reduzir a incidência de recaídas, aumentar as taxas de cura e diminuir os efeitos colaterais a longo prazo, poupando as crianças de recomeçar todo o processo terapêutico. Atualmente, o Ministério da Saúde não possui demanda em análise na Conitec para ampliar o uso do medicamento.

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