Mendonça se afasta da sociedade de instituto jurídico após polêmica
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Mendonça se afasta da sociedade de instituto jurídico após polêmica

Ministro do STF deixa sociedade de instituto de cursos jurídicos O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira (3) que deixará a sociedade do Instituto Iter, empresa de cursos jurídicos que ajudou a fundar há dois anos. A decisão ocorre em meio a questionamentos sobre o faturamento da entidade em contratos […]

Resumo

Ministro do STF deixa sociedade de instituto de cursos jurídicos

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), anunciou nesta quinta-feira (3) que deixará a sociedade do Instituto Iter, empresa de cursos jurídicos que ajudou a fundar há dois anos. A decisão ocorre em meio a questionamentos sobre o faturamento da entidade em contratos públicos e após conversas com o presidente do instituto. O Iter passará a operar como uma organização sem fins lucrativos, com foco exclusivo em atividades educacionais e sociais.

Em comunicado oficial, o gabinete do ministro informou que Mendonça transferirá integralmente suas cotas e as de sua esposa para os demais sócios, sem receber qualquer contrapartida financeira. Qualquer valor gerado a partir dessas cotas será destinado exclusivamente a fins sociais e educacionais. Com a reestruturação, o ministro manterá um vínculo com o instituto apenas na qualidade de professor, prestando serviços acadêmicos.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo gabinete do ministro e reportagens da Folha de S. Paulo e da revista Fórum.

Controvérsias sobre contratos públicos

A decisão de Mendonça surge após reportagens apontarem que o Instituto Iter faturou milhões em contratos públicos. Uma apuração da Folha de S. Paulo indicou um faturamento de R$ 4,8 milhões em 2025. Mais recentemente, a revista Fórum publicou que esse valor teria ultrapassado os R$ 10,8 milhões em contratos com o governo e a prefeitura de São Paulo. O ministro contesta os números divulgados e nega qualquer irregularidade nas operações da empresa.

O próprio Instituto Iter também refutou as alegações de irregularidade, afirmando que nunca distribuiu lucros entre os sócios. A entidade, voltada à comercialização de cursos jurídicos, muitos ministrados pelo próprio Mendonça, já havia sido alvo de reportagens semelhantes em 2025. Na época, o jornal O Estado de S. Paulo revelou o faturamento de R$ 4,8 milhões em pouco mais de um ano de existência.

Destinação de recursos e histórico

Em manifestações anteriores, o ministro André Mendonça já havia detalhado seus planos para os recursos gerados pelo negócio. Em um vídeo divulgado nas redes sociais no início deste ano, ele declarou que sua parte no Instituto Iter seria destinada à consagração de um altar a Deus, separando 10% para o dízimo e investindo os 90% restantes em obras sociais e educação. A nota divulgada nesta quinta-feira reitera que as cotas e eventuais valores correspondentes permanecerão integralmente destinados a fins sociais e educacionais, conforme já anunciado.

O Instituto Iter foi criado em 2024. A transformação em entidade sem fins lucrativos visa reforçar sua vocação educacional e social. Segundo o gabinete do ministro, André Mendonça jamais auferiu lucro do instituto. A decisão formal de se afastar da sociedade foi tomada em 2 de setembro de 2026, após conversa com o presidente do Iter, Victor Godoy, quando Mendonça orientou as providências necessárias para a reestruturação.

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