Novo inquérito no STF apura suposto tráfico de influência envolvendo familiares e aliados do presidente Lula.
O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete pessoal de Lula, estão sob investigação da Polícia Federal em um novo inquérito instaurado no Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração, iniciada em agosto de 2026 sob relatoria do ministro André Mendonça, concentra-se em suspeitas de tráfico de influência e conexões financeiras consideradas suspeitas, especialmente em relação à tentativa de comercialização de cannabis medicinal para o Sistema Único de Saúde (SUS).
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Gazeta do Povo.
O cerne da investigação: tráfico de influência e contratos milionários
A investigação da Polícia Federal mira especificamente o crime de tráfico de influência. Este delito ocorre quando um indivíduo utiliza sua proximidade ou prestígio com o poder público para obter vantagens indevidas, seja para si ou para terceiros, em decisões de órgãos governamentais. No caso em questão, a PF busca determinar se houve uma interferência irregular com o objetivo de viabilizar um contrato de milhões de reais com o Ministério da Saúde para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol (cannabis medicinal) pelo SUS.
Figuras-chave na investigação
Além de Lulinha e do ex-assessor Marcola, a investigação aponta Roberta Luchsinger como uma figura central. Ela é descrita como uma lobista que atuava como intermediária, apresentando empresários ao governo e mantendo acesso privilegiado ao Palácio do Planalto. Outro nome de destaque é Antônio Carlos Antunes, conhecido como ‘Careca do INSS’. Este empresário é suspeito de envolvimento em fraudes contra aposentados e estaria tentando vender os medicamentos à base de cannabis para o governo federal.
Conexões financeiras sob escrutínio
A Polícia Federal identificou transações financeiras entre Roberta Luchsinger e Marco Aurélio Santana Ribeiro durante o período em que este exercia a função de chefe de gabinete pessoal do presidente Lula. Questionado sobre o recebimento dos valores, Marcola admitiu ter recebido o dinheiro, mas alega que se tratava de um empréstimo pessoal, já quitado e de natureza privada, sem qualquer relação com suas atribuições públicas. A saída repentina de Marcola do cargo pouco antes da abertura formal do inquérito, no entanto, gerou desconfiança na oposição, que levanta a possibilidade de vazamentos de informações.
Tensões institucionais e desdobramentos jurídicos
O caso tem gerado atritos entre a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal. As investigações estão divididas: enquanto dois inquéritos tramitam sob a relatoria do ministro André Mendonça, um terceiro foi encaminhado ao ministro Flávio Dino. Juristas interpretam essa movimentação como uma possível tentativa de alteração do juízo responsável pelo caso. Adicionalmente, a medida inédita da Polícia Federal de acionar a Advocacia-Geral da União (AGU) contra decisões de Mendonça sinaliza uma disputa institucional sobre o andamento e o alcance das apurações que envolvem a família presidencial.
