Tensão econômica e diplomática se intensifica entre Irã e Estados Unidos
O Irã reagiu firmemente às novas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, qualificando a ação como uma tentativa de “maior ofensiva financeira” e alertando que países que aderirem à campanha de Washington poderão enfrentar repercussões. A medida, descrita pelo Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, como um “Dia D econômico”, visa isolar ainda mais a economia iraniana, que já enfrenta restrições desde a Revolução Islâmica de 1979.
Em resposta direta às declarações americanas de que as capacidades militares e o programa nuclear do Irã teriam sido “desmantelados” e “enterrados”, o vice-chanceler iraniano, Kazem Gharibabadi, questionou a lógica por trás da ofensiva. “Vocês dizem que o poder militar do Irã foi ‘desmantelado’, que 100% de suas fábricas militares foram ‘destruídas’ e que seu programa nuclear foi ‘enterrado’. Isso é uma vitória ou o reconhecimento da derrota dos EUA?”, indagou, em referência à necessidade de mobilização de “todas as instituições e poderes” de Washington para a ação contra Teerã.
O Ministério das Relações Exteriores iraniano também emitiu um comunicado formal, advertindo que qualquer cumplicidade com os Estados Unidos na execução de suas ações “agressivas” contra o Irã “certamente terá suas próprias consequências”. A declaração ecoa o alerta anterior do chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezai, que classificou qualquer país que aderisse à “guerra econômica” de Washington como “inimigo”. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela imprensa internacional.
Irã eleva tensão no Estreito de Hormuz com proibição de petroleiros
Paralelamente às trocas diplomáticas, o Irã demonstrou sua capacidade de ação na região ao incluir 45 petroleiros em uma lista de embarcações proibidas de atravessar o estratégico Estreito de Hormuz. A decisão, divulgada pela Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, um órgão iraniano, visa punir navios que supostamente violaram as regras locais. A medida inclui a possibilidade de multas, detenções e confisco de cargas, elevando o risco de novas escaladas na rota marítima vital para o comércio global de petróleo.
A lista de embarcações proibidas abrange desde superpetroleiros até navios de transporte de gás natural liquefeito e derivados de petróleo, incluindo navios pertencentes a companhias de navegação dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita. O Irã afirmou que também tomará medidas contra navios que realizarem transferências de carga com as embarcações listadas, uma ação que pode impactar significativamente o fluxo de petróleo na região. A reabertura do estreito é uma prioridade para os EUA, mas Teerã insiste que a passagem só será garantida com o fim das sanções americanas ao seu petróleo e o descongelamento de seus ativos no exterior.
