Rede bilionária de lavagem de dinheiro ligada a tráfico e fraudes chega ao STF
Rede bilionária de lavagem de dinheiro ligada a tráfico e fraudes chega ao STF

Rede bilionária de lavagem de dinheiro ligada a tráfico e fraudes chega ao STF

Operação Saturno desvenda esquema complexo que misturou dinheiro do tráfico, fraudes previdenciárias e operações financeiras suspeitas. Uma intricada rede de lavagem de dinheiro, que teria movimentado a impressionante cifra de R$ 48 bilhões em um período de apenas cinco anos, levou a Polícia Civil de São Paulo a encaminhar um inquérito ao Supremo Tribunal Federal […]

Resumo

Operação Saturno desvenda esquema complexo que misturou dinheiro do tráfico, fraudes previdenciárias e operações financeiras suspeitas.

Uma intricada rede de lavagem de dinheiro, que teria movimentado a impressionante cifra de R$ 48 bilhões em um período de apenas cinco anos, levou a Polícia Civil de São Paulo a encaminhar um inquérito ao Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação, batizada de Operação Saturno, revelou conexões entre o tráfico de drogas, fraudes envolvendo o Banco Master e esquemas relacionados a aposentadorias do INSS. O caso está sob supervisão do ministro André Mendonça.

As informações foram apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.

Do tráfico de drogas a um esquema financeiro paralelo

A descoberta deste emaranhado financeiro teve início em 2024, a partir da prisão em flagrante de um traficante que portava drogas e R$ 100 mil em dinheiro vivo. A partir dessa apreensão, os investigadores obtiveram autorização judicial para examinar as contas bancárias do suspeito e de seu fornecedor. O que parecia ser um caso isolado de tráfico se desdobrou em uma vasta investigação sobre transações financeiras ilícitas. Seguindo o rastro do dinheiro, a polícia identificou que recursos oriundos do tráfico eram repassados através de contas de “laranjas” para empresas especializadas em ocultar valores ilegais. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) corroborou a magnitude das operações, apontando a movimentação de R$ 48 bilhões pelo grupo em cinco anos.

Banco Master e fintechs como elos na lavagem de dinheiro

A investigação aponta que o dinheiro proveniente da venda de entorpecentes passava por diversas empresas antes de chegar a instituições financeiras. Um exemplo citado é o repasse de R$ 7,5 milhões do tráfico para a fintech Nexpay, que realiza pagamentos para sites chineses. Para remeter esses valores ao exterior, a Nexpay utilizava o Banco Master em operações de câmbio. Além disso, a empresa Wave, também sob suspeita de lavar dinheiro, enviou quase R$ 1 milhão a um grupo que mantinha fundos no Master e que estaria, segundo a apuração, ligado ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fraudes no INSS se conectam à rede investigada

A ligação com as fraudes previdenciárias do INSS surgiu por meio de repasses financeiros entre consultorias e empresas de fachada. Uma empresa ligada ao lobista Antônio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, transferiu R$ 13,7 milhões para a Arpar Administração. Esta, por sua vez, teria enviado dinheiro para outras cinco firmas suspeitas de receber recursos diretamente do tráfico de drogas. Essa rede envolvendo a Arpar é considerada peça-chave para a mistura de dinheiro de diferentes atividades criminosas, dificultando a rastreabilidade das origens.

O papel dos “laranjas” e operadores financeiros

O inquérito indiciou oito pessoas que teriam controlado o que foi denominado “sistema financeiro paralelo”. Esses indivíduos ofereciam serviços que iam desde a abertura de contas fraudulentas até a compra de criptomoedas e a realização de câmbio ilegal. Para manterem-se ocultos, utilizavam documentos de trabalhadores de baixa renda para abrir empresas de fachada. Essas pessoas, os “laranjas”, recebiam pagamentos mensais de cerca de R$ 2 mil apenas para cederem seus nomes, sem ter conhecimento de que suas identidades eram usadas para movimentar bilhões de reais provenientes de atividades criminosas.

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