Lula defende filho e promete isonomia em investigação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta quinta-feira (30) que não utilizará o cargo de chefe do Executivo para proteger seu filho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. O filho do presidente é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda., Lula afirmou que Lulinha “jura” todos os dias que não cometeu irregularidades e que ele acredita nas palavras do filho.
A declaração ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinar a abertura de um inquérito contra Fábio Luís, a pedido da PF. Lula assegurou que, caso seu filho seja julgado, ele retornará ao Brasil para provar sua inocência, sem qualquer tipo de proteção presidencial. “Se for julgado, ele virá para cá. Não vai ficar escondido, não. Não vou utilizar meu cargo para protegê-lo. Ele vai ter que provar que é inocente, como eu provei”, disse o presidente.
Lula enfatizou que “não haverá nenhum privilégio” para Lulinha, garantindo que ele será tratado como qualquer outro cidadão em caso de acusação. “Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa, como eu [fui]. Não haverá nenhum privilégio. Jamais pedirei para um delegado ou para juiz não fazer a coisa correta”, declarou.
A perspectiva do pai e a lembrança da Lava Jato
O chefe do Executivo expressou que seu filho “não tem direito de errar”, especialmente considerando o que ele próprio passou durante sua prisão na Operação Lava Jato. Lula relembrou seus 580 dias de detenção na Superintendência da PF em Curitiba (PR) e a morte de sua esposa, Marisa Letícia, em 2017, que ele já atribuiu à operação. “Se ele estiver certo, ele vai ter ajuda minha. Se ele fizer coisa errada, ele sabe o que eu passei [na prisão]. Ele sabe que a minha mulher morreu por causa da desgraça da Lava Jato. Então, ele não tem o direito o de errar”, acrescentou.
Histórico de ataques e a atual investigação
Durante a entrevista, Lula mencionou que Fábio Luís tem sido alvo de uma “campanha difamatória” desde 2006, sendo frequentemente utilizado como ponto de ataque contra ele. O presidente citou alegações passadas de que seu filho seria “dono da Friboi, dono da JBS, que ele tinha carro de ouro”.
A Polícia Federal aponta que Lulinha teria atuado para favorecer a empresa World Cannabis junto ao Ministério da Saúde, por meio de sua amiga Roberta Luchsinger. A defesa de Fábio Luís, representada por Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha de reeleição de Lula, criticou a investigação, afirmando que o empresário não foi ouvido e que a abertura do inquérito parece ser uma tentativa de encontrar algum envolvimento após falharem em implicá-lo na Operação Sem Desconto. A defesa alega que a nova investigação demonstra o fracasso em encontrar qualquer ligação entre Fábio Luís e as fraudes no INSS.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo podcast Inteligência Ltda. e reportagens sobre o caso.
