Itamaraty confirma auxílio a amiga de Lulinha em mudança para a Espanha
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou nesta quarta-feira (30) ter prestado auxílio à empresária Roberta Luchsinger no processo de mudança de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, para a Espanha. Trocas de mensagens reveladas pelo portal Metrópoles indicaram o apoio da representação diplomática brasileira para mapear e contatar escolas para os netos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Madri.
De acordo com o Itamaraty, o então embaixador do Brasil em Madri, Orlando Leite Ribeiro, disponibilizou uma lista de instituições de ensino e ofereceu o acompanhamento de uma servidora do MRE. Em uma mensagem de áudio que integra inquérito da Polícia Federal, o diplomata diz a Roberta: “Com relação aos colégios, me diga, se vocês depois analisarem essa lista, indiquem quais vocês gostam mais. E aí a gente arruma uma maneira de fazer uma agenda para vocês e vai também uma funcionária da embaixada acompanhando, caso vocês queiram. Está bom? Estou aqui inteiramente às ordens”. O embaixador, atualmente titular da embaixada de Praga, na República Tcheca, já conhecia Roberta de um evento da diplomacia.
O diplomata também colocou à disposição de Roberta uma van da frota oficial, embora o Itamaraty tenha informado que o veículo não chegou a ser utilizado. As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo portal Metrópoles e confirmados pelo Itamaraty.
Investigações em andamento
Roberta Luchsinger e Lulinha são alvos de investigações conduzidas pela Polícia Federal em inquéritos que apuram a suposta prática de tráfico de influência e contrapartidas financeiras no âmbito do governo federal. A defesa de Roberta Luchsinger, procurada pela reportagem, não obteve resposta até a publicação. Em manifestações anteriores, a empresária afirmou que provará sua inocência e declarou que sua relação de amizade com o filho do presidente está sendo indevidamente criminalizada.
A defesa de Lulinha também foi contatada e não retornou. Em ocasiões anteriores, os advogados negaram a prática de qualquer ilícito e criticaram o que classificam como “vazamentos seletivos” com objetivos político-eleitorais.
Posicionamento do Itamaraty
O Itamaraty sustentou extraoficialmente que o atendimento prestado a Roberta não diferiu da assistência consular rotineira oferecida a outros cidadãos no exterior. “A prestação de informações e o compartilhamento de contatos locais com cidadãos brasileiros constituem parte inerente do trabalho cotidiano das Embaixadas”, declarou o órgão.
