Impacto de asteroide que extinguiu dinossauros pode ter causado onda de calor global
Impacto de asteroide que extinguiu dinossauros pode ter causado onda de calor global

Impacto de asteroide que extinguiu dinossauros pode ter causado onda de calor global

Nova hipótese aponta para calor letal como causa imediata da extinção em massa O colossal impacto do asteroide que marcou o fim da era dos dinossauros, há 66 milhões de anos, pode ter desencadeado uma onda de calor devastadora em escala planetária nas primeiras horas após a colisão. Um estudo recente, que combina modelagem física […]

Resumo

Nova hipótese aponta para calor letal como causa imediata da extinção em massa

O colossal impacto do asteroide que marcou o fim da era dos dinossauros, há 66 milhões de anos, pode ter desencadeado uma onda de calor devastadora em escala planetária nas primeiras horas após a colisão. Um estudo recente, que combina modelagem física com evidências geológicas, reforça a teoria de que esse pulso térmico, intensificado por uma fina camada de poeira atmosférica, foi um fator crucial na extinção de inúmeras espécies e no início de incêndios globais. A pesquisa foi publicada na revista Journal of Geophysical Research Biogeosciences.

A ideia de que o impacto de Chicxulub, o nome dado à cratera de 150 km de diâmetro no México, provocou incêndios florestais em todo o mundo existe desde os anos 1990. No entanto, a falta de provas geológicas concretas manteve a hipótese em debate. O novo trabalho, liderado por Brandon Johnson, professor associado da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, utiliza dados de rochas do limite Cretáceo-Paleógeno (K/Pg) para sustentar a tese de que o calor extremo foi o responsável por uma catástrofe imediata.

O mecanismo da onda de calor

Após a colisão, uma vasta pluma de rocha vaporizada se espalhou para além da atmosfera terrestre. À medida que esse material esfriava, parte dele se solidificou em minúsculas esferas de rocha derretida, conhecidas como esferulas. Ao reentrarem na atmosfera em alta velocidade, essas partículas liberaram uma quantidade imensa de energia cinética na forma de calor. Contudo, o ponto central da nova pesquisa reside na identificação de poeira silicatada extremamente fina, distribuída globalmente após o impacto.

Essa poeira microscópica teria atuado como um cobertor, aprisionando a radiação térmica e impedindo que o calor escapasse para o espaço. Os cálculos indicam que, com esse efeito isolante, a temperatura na superfície terrestre aumentou cerca de 3,5 vezes mais do que seria esperado apenas pela reentrada das esferulas. Esse calor intenso seria suficiente para inflamar materiais secos como gramíneas e líquens, dando origem a incêndios de grandes proporções e, mais diretamente, causando a morte de animais expostos pela própria radiação, que queimava peles e penas.

Sobrevivência e debate sobre causas

O cenário descrito pelo estudo ajuda a explicar por que organismos menores, capazes de se abrigar em tocas subterrâneas, no fundo de corpos d’água ou na lama, tiveram maiores chances de sobrevivência. Embora esses animais não estivessem imunes às consequências de longo prazo, como o bloqueio da luz solar e o colapso das cadeias alimentares, eles conseguiram escapar do pulso térmico inicial. Essa capacidade de refúgio é consistente com as linhagens que sobreviveram à extinção em massa.

A pesquisa também reaviva o debate sobre o papel das erupções vulcânicas da região conhecida como Deccan Traps, na Índia, que liberaram grandes quantidades de gases e contribuíram para mudanças climáticas. Para Johnson, no entanto, os resultados reforçam que o impacto do asteroide, por si só, foi o principal agente da devastação. Ele compara o evento a ser atropelado por um trem, enquanto os efeitos climáticos do vulcanismo seriam uma doença crônica que, nesse contexto, se tornou irrelevante diante da morte súbita e avassaladora.

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