Ministro Flávio Dino designado para investigar Lulinha
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino foi sorteado como relator de um terceiro inquérito solicitado pela Polícia Federal (PF) contra o empresário Fábio Luís da Silva, conhecido como Lulinha. A investigação, assim como as duas anteriores solicitadas na semana passada, apura supostos crimes de corrupção e tráfico de influência no âmbito governamental.
A defesa de Lulinha tem manifestado preocupação com a condução das investigações, classificando-as como um “uso político-eleitoral” por parte da PF. Advogados do empresário têm buscado acesso aos autos e se reuniram com representantes do Ministério da Justiça e do próprio STF para apresentar suas reclamações. Segundo Marco Aurélio de Carvalho, um dos advogados de Lulinha, não há clareza sobre o objeto exato da nova investigação, e a publicidade seletiva dos procedimentos levanta questionamentos sobre a legalidade do processo.
“A situação saiu do controle; pedi ao ministro (da Justiça, Wellington César Lima e Silva) providências enérgicas. Não tivemos acesso aos autos, falei isso ao ministro, trata-se apenas de provocar desgaste político. Nem eu sei sobre o que são estes inquéritos! O inquérito anterior devia ter sido arquivado”, declarou Carvalho. Guilherme Suguimori, outro advogado de Lulinha, reforçou a falta de acesso aos autos e a preocupação com a legalidade, mas assegurou a disposição do empresário em colaborar com a Justiça.
Contexto e Relações Institucionais
A designação de Flávio Dino para relatar este inquérito ganha destaque por suas conexões institucionais. Dino já ocupou o cargo de ministro da Justiça no governo Lula e foi indicado pelo atual presidente para a vaga que ocupa no STF desde 2023. Em sua atuação no Supremo, já tomou decisões que impactaram investigações, como a derrubada de uma quebra de sigilo pedida pela CPI do INSS.
Os dois inquéritos anteriores autorizados pelo ministro André Mendonça tratavam, respectivamente, de uma tentativa de favorecer a empresa de Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, em negociações no Ministério da Saúde, e de licitações na Dataprev. Fontes próximas às investigações sugerem que a solicitação desses novos inquéritos pela PF pode ter o intuito de desviar a relatoria do caso Master e da Operação Sem Desconto, atualmente sob responsabilidade de Mendonça.
Até o momento, o STF não divulgou informações oficiais detalhadas sobre o conteúdo do terceiro inquérito. A expectativa é que a atuação de Flávio Dino como relator traga novos contornos à investigação, considerando seu histórico e as relações institucionais envolvidas. A defesa de Lulinha aguarda acesso aos autos para compreender a extensão das acusações e os próximos passos processuais.
