FDA aprova o primeiro medicamento que atua diretamente nos músculos para combater atrofia muscular espinhal
FDA aprova o primeiro medicamento que atua diretamente nos músculos para combater atrofia muscular espinhal

FDA aprova o primeiro medicamento que atua diretamente nos músculos para combater atrofia muscular espinhal

Nova esperança surge para pacientes com Atrofia Muscular Espinhal (AME) com a aprovação do Isembyld pela FDA. A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos nos Estados Unidos, deu sinal verde para o apitegromabe, primeiro tratamento focado em impedir a perda muscular em pacientes com Atrofia Muscular Espinhal (AME). Comercializado sob o nome […]

Resumo

Nova esperança surge para pacientes com Atrofia Muscular Espinhal (AME) com a aprovação do Isembyld pela FDA.

A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de medicamentos nos Estados Unidos, deu sinal verde para o apitegromabe, primeiro tratamento focado em impedir a perda muscular em pacientes com Atrofia Muscular Espinhal (AME). Comercializado sob o nome Isembyld e desenvolvido pela farmacêutica americana Scholar Rock, o medicamento age diretamente sobre os músculos, oferecendo uma nova abordagem terapêutica para a doença rara que causa fraqueza e degeneração muscular progressiva.

A AME é uma condição genética que afeta os neurônios motores da medula espinhal, responsáveis por transmitir os comandos do cérebro para os músculos. A falha nessa comunicação leva à atrofia muscular, comprometendo movimentos, deglutição e respiração, podendo evoluir para a perda da capacidade de locomoção independente. As informações sobre a aprovação foram divulgadas pela FDA e detalhadas em publicações científicas como The Lancet Neurology.

Mecanismo de ação inovador contra a miostatina

O apitegromabe é um anticorpo monoclonal que inibe a miostatina, uma proteína natural do corpo que atua como um freio no crescimento muscular e acelera a degradação das fibras. Conforme explica o endocrinologista Clayton Macedo, professor da Unifesp e diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o medicamento atua na pró-miostatina, impedindo que ela se transforme na forma ativa da miostatina. Diferentemente de tratamentos anteriores que focavam no gene SMN2, ligado aos neurônios motores, o Isembyld tem como alvo a saúde muscular em si.

Resultados promissores em estudos clínicos

A eficácia e segurança do Isembyld foram avaliadas em um estudo de um ano envolvendo 188 pacientes com AME tipo 2 ou 3, com idades entre 2 e 21 anos, que já não caminhavam e recebiam terapias direcionadas ao gene SMN2. Os resultados, publicados na revista The Lancet Neurology, indicaram melhora na função motora. Um ensaio clínico de fase 3, conduzido pela Johns Hopkins Medicine em 48 hospitais, confirmou esses achados. Pacientes pediátricos e adolescentes tratados com apitegromabe apresentaram melhora significativa na função motora em comparação com o grupo placebo. Os efeitos adversos observados foram consistentes com a AME e tratamentos pré-existentes, incluindo um risco aumentado de fraturas, e o medicamento pode apresentar riscos para fetos e para a função reprodutiva.

Potenciais aplicações futuras na preservação muscular

Além do tratamento da AME, a Scholar Rock está explorando o potencial do apitegromabe para preservar a massa muscular em outras condições. Estudos preliminares sugerem que o medicamento pode ajudar a minimizar a perda de massa magra em pacientes que utilizam medicamentos para emagrecimento, como a tirzepatida (Mounjaro). Um estudo de fase 2 publicado na Nature Medicine indicou que a combinação de Isembyld com tirzepatida resultou em uma preservação muscular significativamente maior em comparação com a tirzepatida isolada. No entanto, o endocrinologista Clayton Macedo ressalta que essa melhora é discreta e parcial, e que o medicamento não promove ganho de massa muscular. É importante notar que o uso do apitegromabe para essa indicação ainda não foi aprovado pela FDA e depende da conclusão de estudos de fase 3 e da aprovação de agências reguladoras como a Anvisa no Brasil.

O alto custo do tratamento representa um desafio significativo, com estimativas de gastos anuais superiores a US$ 310 mil para um paciente típico. A aprovação do Isembyld marca um avanço importante no tratamento da AME, abrindo portas para novas pesquisas e potenciais benefícios em outras áreas da medicina.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela FDA, The Lancet Neurology, Nature Medicine e Reuters.

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