Governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, anunciou nesta sexta-feira (18) que o estado superou o quadro de déficit financeiro e deve encerrar sua gestão com uma reserva de R$ 5 bilhões em caixa. A declaração foi feita em um evento com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Couto, que também preside o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), afirmou que a imposição de barreiras fiscais mais rigorosas permitiu que o estado alcançasse um superávit. “Aquilo que era um sonho hoje já se tornou realidade. Hoje o estado do Rio de Janeiro saiu do vermelho”, declarou o governador interino, projetando o cumprimento da meta de deixar o caixa estadual com aproximadamente R$ 5 bilhões. Essa projeção surge em contraste com o cenário de dezembro de 2025, quando a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou o Orçamento de 2026 com uma previsão de déficit de R$ 18,93 bilhões.
Desde que assumiu o governo em março deste ano, em meio a um impasse na linha sucessória após a renúncia de Cláudio Castro, o desembargador tem implementado medidas de contenção de gastos. Mais de 6 mil cargos comissionados foram exonerados, e o governo informou a nomeação de 2.496 servidores de carreira. Um decreto recente extinguiu 1.050 cargos comissionados que estavam vagos.
A sucessão de poder no estado tem sido marcada por eventos incomuns. O vice-governador Thiago Pampolha deixou o cargo para assumir como conselheiro no Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) em maio de 2025. O presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que seria o próximo na linha sucessória, foi afastado e posteriormente preso.
Durante o evento, o presidente Lula elogiou a gestão de Couto, destacando o Rio de Janeiro como um estado de importância nacional e ressaltando a necessidade de integração no combate ao crime organizado. “Quero cumprimentar o nosso governador Ricardo Couto pelo bom exemplo e certeza que está nos passando de que é possível a gente conseguir consertar tudo que está errado nesse país”, disse Lula.
Ricardo Couto deve deixar o governo ao final deste ano, quando o novo chefe do Executivo fluminense será eleito. Nos bastidores políticos, especula-se sobre a possibilidade de Couto ser indicado por Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), após uma recente derrota do presidente no Senado com a indicação de Jorge Messias para a vaga de ministro aposentado Luíz Roberto Barroso.
