Estudo Revela Origem Europeia dos Morcegos Há 65 Milhões de Anos
Estudo Revela Origem Europeia dos Morcegos Há 65 Milhões de Anos

Estudo Revela Origem Europeia dos Morcegos Há 65 Milhões de Anos

Um esforço global de 137 pesquisadores desvendou a origem dos morcegos, atribuindo-a à Europa no período Paleoceno, há aproximadamente 65 milhões de anos. A pesquisa, publicada na revista Nature, é o resultado do consórcio Bat1K, que visa sequenciar o genoma de todas as espécies de morcegos para criar um banco de dados e fomentar sua […]

Resumo

Um esforço global de 137 pesquisadores desvendou a origem dos morcegos, atribuindo-a à Europa no período Paleoceno, há aproximadamente 65 milhões de anos. A pesquisa, publicada na revista Nature, é o resultado do consórcio Bat1K, que visa sequenciar o genoma de todas as espécies de morcegos para criar um banco de dados e fomentar sua conservação.

Com mais de 1.400 espécies distribuídas pelo planeta, exceto nas regiões polares, os morcegos representam um dos maiores sucessos evolutivos entre os mamíferos. Suas características únicas, como o voo batido, a ecolocalização para navegação e comunicação, e uma notável imunidade a patógenos, permitiram sua diversificação e disseminação global. Contudo, a localização exata de sua origem evolutiva permaneceu um mistério por décadas. Agora, um estudo sem precedentes reuniu dados genômicos de 103 espécies, representando todas as 21 famílias existentes, e informações morfológicas de 65 espécies extintas e atuais. Essa abordagem abrangente permitiu reconstruir a história evolutiva e os padrões de migração do grupo em seus primórdios.

A pesquisa, que contou com a colaboração de cientistas de 64 países, combinou sequenciamento genômico com análise de dados biogeográficos e morfológicos. Segundo Sonja Vernes, professora da Universidade de St. Andrews e autora sênior do estudo, a descoberta da origem europeia abre novas perspectivas para entender a dispersão global dos morcegos. “Agora que sabemos que os morcegos se originaram na Europa, podemos ver como eles se dispersaram ao redor do mundo”, explicou Vernes, sugerindo que a Europa e a África podem ter servido como um centro inicial para sua evolução e expansão.

Novas Perspectivas sobre a Evolução dos Morcegos

Até este estudo, as teorias sobre a origem dos morcegos eram diversas. Evidências fósseis sugeriam origens na Europa, América do Norte e Ásia, enquanto dados biogeográficos incluíam a África. Análises genômicas anteriores apontavam para a Ásia, mas sem a inclusão de dados fósseis. A nova análise, ao incorporar uma matriz com quase 700 caracteres morfológicos de 44 espécies fósseis, coletados em instituições científicas da Europa, África e América do Norte, superou essas limitações. A inclusão de fósseis como terminais na árvore evolutiva, e não apenas para calibração de datações, forneceu informações cruciais sobre os intervalos de tempo e as características dos ancestrais.

Liliana Dávalos, professora da Universidade Stony Brook e coautora do estudo, destacou a importância de incluir representantes de cada família de morcegos modernos e os fósseis mais antigos. Essa metodologia permitiu posicionar o grupo Myzopodidae, hoje restrito a Madagascar, como o ramo mais antigo de Vespertilionoidea, um clado que inclui muitas espécies europeias e norte-americanas. Isso contrasta com análises anteriores que os associavam a linhagens neotropicais.

Ecolocalização: Uma Adaptação Precoce

O estudo também lançou luz sobre a evolução da ecolocalização. A análise do fóssil *Vielasia*, datado de 50 milhões de anos e encontrado no sul da França, revelou características associadas à ecolocalização. Isso sugere que essa capacidade surgiu precocemente na história evolutiva dos morcegos, antes mesmo da diversificação das famílias modernas. “A ideia de que voo e ecolocalização surgiram próximos um do outro nos diz algo realmente importante sobre a evolução dos morcegos”, afirmou Vernes, indicando que essas adaptações podem ter sido fundamentais para a rápida ocupação de novos nichos ecológicos pelos primeiros morcegos.

Apesar dos avanços significativos, os pesquisadores ressaltam que a história evolutiva inicial dos morcegos ainda apresenta lacunas. O registro fóssil é fragmentário, com muitas espécies conhecidas apenas por dentes ou ossos isolados. A falta de registros fósseis mais completos em regiões como Ásia, África subsaariana e América do Sul dificulta a compreensão completa da dispersão e diversificação inicial do grupo. A continuação do projeto Bat1K e futuras descobertas paleontológicas são essenciais para preencher essas lacunas e aprimorar nosso conhecimento sobre esses fascinantes mamíferos voadores.

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