Desconhecimento sobre próstata pode atrasar diagnóstico de condição comum em homens
Desconhecimento sobre próstata pode atrasar diagnóstico de condição comum em homens

Desconhecimento sobre próstata pode atrasar diagnóstico de condição comum em homens

A falta de informação sobre a hiperplasia prostática benigna (HPB) é um obstáculo significativo para o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz em homens mais velhos. Uma pesquisa recente revela que uma parcela considerável dessa população não tem conhecimento suficiente sobre a condição, o que pode resultar em atrasos na busca por ajuda médica e […]

Resumo

A falta de informação sobre a hiperplasia prostática benigna (HPB) é um obstáculo significativo para o diagnóstico precoce e o tratamento eficaz em homens mais velhos. Uma pesquisa recente revela que uma parcela considerável dessa população não tem conhecimento suficiente sobre a condição, o que pode resultar em atrasos na busca por ajuda médica e o agravamento de sintomas.

A hiperplasia prostática benigna, caracterizada pelo crescimento não maligno da próstata, é uma condição que se torna cada vez mais frequente com o avanço da idade. Estima-se que afete cerca de metade dos homens acima de 50 anos e quase 90% daqueles com mais de 80 anos. No entanto, um estudo publicado em julho no periódico Neurourology Urodynamics, que analisou 444 questionários, indicou que mais da metade dos homens com 50 anos ou mais não possuem conhecimento adequado sobre o problema.

Os sintomas da HPB incluem dificuldade para iniciar o jato de urina, jato fraco ou intermitente, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, aumento da frequência urinária diurna e noturna, e urgência para urinar. A incontinência urinária também pode ocorrer. O problema surge quando o crescimento da próstata comprime a uretra, dificultando o fluxo urinário e forçando a bexiga a trabalhar mais. Com o tempo, isso pode levar a alterações na musculatura da bexiga, tornando-a mais rígida e menos funcional, e em casos avançados, pode comprometer a função renal devido à retenção urinária e à obstrução completa.

A importância do reconhecimento e busca por ajuda médica

O urologista Marcelo Wroclawski, coordenador da área de Hiperplasia Prostática Benigna da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), ressalta a importância de reconhecer esses sinais e não atribuí-los simplesmente ao envelhecimento. A falta de informação e o tabu em torno dos sintomas urinários levam muitos homens a adiar a consulta com um especialista. O urologista Gustavo Caserta Lemos, do Einstein Hospital Israelita, corrobora essa visão, afirmando que a ignorância, a vergonha ou as dificuldades de acesso à saúde fazem com que muitos procurem ajuda em estágios mais avançados da doença.

É fundamental diferenciar a hiperplasia prostática benigna do câncer de próstata. Enquanto a HPB geralmente afeta a região central da glândula e causa sintomas urinários, o câncer de próstata costuma surgir na região periférica e, em fases iniciais, pode ser assintomático. Por isso, o rastreamento periódico a partir dos 45 anos é recomendado, mesmo na ausência de sintomas, para garantir diagnóstico precoce e melhores chances de cura e preservação das funções urinária e erétil.

Opções de tratamento e impacto na qualidade de vida

O tratamento da HPB é individualizado e pode envolver medicamentos, procedimentos minimamente invasivos e cirurgias. Medicamentos como a silodosina ajudam a relaxar a musculatura da próstata e do colo da bexiga, melhorando o fluxo urinário. Procedimentos minimamente invasivos, como os que utilizam vapor d’água ou implantes prostáticos, podem ser realizados via uretra e, em alguns casos, preservam a ejaculação. Cirurgias mais invasivas, como a ressecção transuretral (RTU) ou técnicas robóticas, são indicadas quando a próstata está muito aumentada.

Apesar das diversas opções terapêuticas, o atraso na busca por tratamento pode ter consequências permanentes. Quando o tratamento é tardio, a bexiga pode já ter sofrido alterações irreversíveis, comprometendo os resultados. Além disso, os sintomas da HPB podem impactar significativamente a qualidade de vida, levando homens a restringir a ingestão de líquidos, evitar atividades sociais ou ter o sono prejudicado. A busca por atendimento médico o quanto antes é essencial para evitar complicações e manter o bem-estar.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Agência Einstein.

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