Cobertura vacinal contra HPV revela desigualdades regionais e sociais no Brasil
Cobertura vacinal contra HPV revela desigualdades regionais e sociais no Brasil

Cobertura vacinal contra HPV revela desigualdades regionais e sociais no Brasil

Disparidade na imunização deixa jovens vulneráveis ao HPV Apesar da disponibilidade da vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) no Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil enfrenta um cenário de cobertura vacinal desigual, deixando parcelas significativas da população jovem desprotegidas contra o vírus, associado a diversos tipos de câncer. A meta estabelecida pelo Ministério da […]

Resumo

Disparidade na imunização deixa jovens vulneráveis ao HPV

Apesar da disponibilidade da vacina contra o Papilomavírus Humano (HPV) no Sistema Único de Saúde (SUS), o Brasil enfrenta um cenário de cobertura vacinal desigual, deixando parcelas significativas da população jovem desprotegidas contra o vírus, associado a diversos tipos de câncer. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é alcançar 90% de cobertura até 2030, mas os dados atuais revelam um abismo entre os públicos masculino e feminino, e entre as diferentes regiões do país.

Enquanto a adesão entre meninas de 9 a 14 anos se aproxima do objetivo, com 86,22% em 2025, o índice entre meninos da mesma faixa etária cai para 74,55%. Essa diferença é ainda mais acentuada quando se observam as disparidades regionais. O Acre, por exemplo, registrou apenas 61,1% de cobertura da primeira dose em meninas em 2024, contrastando com os 113,1% do Paraná. Entre os meninos, a discrepância é ainda maior, com 25,5% no Acre contra 85,4% no Espírito Santo.

As informações foram reunidas a partir de dados do Anuário VacinaBR 2025 e estudos da ARO Einstein, com apoio do Ministério da Saúde e do Fundo das Nações Unidas para a Infância.

Causas da hesitação e desinformação como barreiras

A hesitação vacinal, especialmente no Acre, tem raízes complexas. Episódios de desmaios e convulsões em adolescentes após campanhas escolares em 2016 e 2017, posteriormente diagnosticados como reações psicogênicas coletivas e não causados pela vacina, fomentaram o medo e a proliferação de teorias conspiratórias. A demora na resposta oficial e a postura de alguns profissionais de saúde em recomendar o imunizante contribuíram para agravar o problema.

A desinformação é apontada pelo Ministério da Saúde como a principal força motriz do movimento antivacina. Para combater essa onda, o governo federal retomou campanhas de vacinação em escolas e firmou parcerias, como a com o Unicef no Acre, para mapear e superar as particularidades locais da hesitação vacinal.

Educação, não renda, impulsiona a imunização

Um estudo da ARO Einstein, baseado na Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, desmistificou a ideia de que a renda familiar é o principal fator para a cobertura vacinal contra o HPV. A pesquisa indicou que a educação é o fator preponderante. Surpreendentemente, o estudo encontrou taxas de vacinação mais baixas entre meninas de estratos sociais mais elevados, possivelmente ligadas a uma maior hesitação em parcelas mais conservadoras da população.

Outro achado relevante do estudo foi desmentir o temor de que a vacinação contra ISTs possa estimular o início precoce da vida sexual. Pelo contrário, as meninas vacinadas demonstraram iniciar a atividade sexual mais tarde e possuíam melhor educação sexual, reforçando a importância da informação direta aos adolescentes.

Estratégia de resgate vacinal e metas futuras

Diante da queda na cobertura vacinal em 2021 e 2022, o Ministério da Saúde prorrogou até dezembro de 2026 a estratégia de resgate vacinal contra o HPV. Agora, adolescentes e jovens de 15 a 19 anos que não receberam nenhuma dose podem procurar as unidades básicas de saúde para se imunizar gratuitamente. O foco principal, no entanto, permanece no público de 9 a 14 anos, conforme recomendações internacionais, visando o maior impacto coletivo na prevenção do câncer.

A vacina quadrivalente, incorporada ao SUS em 2014, protege contra os quatro tipos mais comuns do HPV. A vacina nonavalente, disponível na rede particular, oferece proteção ampliada, mas seu alto custo, como no caso de Maria Júlia Pimenta, que aos 17 anos descobriu a necessidade da vacina e não pôde arcar com o tratamento particular de cerca de R$ 2.700, impede a imunização de muitos jovens.

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