Claudio Lottenberg, renomado médico oftalmologista e ex-presidente do Hospital Israelita Albert Einstein, foi anunciado por Flávio Bolsonaro como seu futuro ministro da Saúde, caso seja eleito. A escolha, divulgada na noite de sexta-feira (28) durante sabatina no Jornal Nacional, sinaliza a intenção de Flávio em mesclar a gestão pública com práticas de excelência do setor privado, visando a valorização do Sistema Único de Saúde (SUS). Lottenberg, que já comandou a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo e foi cotado para a pasta durante o governo de Jair Bolsonaro, aceitou o convite com “gratidão e espírito de serviço”.
Flávio Bolsonaro destacou a escolha de Lottenberg como um reflexo do compromisso em montar uma equipe técnica, descrevendo o médico como um profissional “gabaritado e comprometido em resgatar o Brasil, cuidar do Ministério da Saúde e valorizar o SUS”. A proposta central é aplicar as “melhores práticas” observadas no Einstein à gestão pública da saúde, buscando implementar o que Flávio chama de “padrão Einstein” no atendimento do SUS. Isso incluiria a transferência de metodologias, tecnologias e padrões de qualidade para a rede pública.
Formado em Medicina pela Unifesp, Lottenberg consolidou sua carreira à frente do Hospital Albert Einstein entre 2001 e 2016, período em que expandiu parcerias com o setor público e iniciativas voltadas ao atendimento via SUS. Sua experiência em gestão pública foi exercida em 2005, como secretário municipal de Saúde de São Paulo, sob a gestão do então prefeito José Serra. Além disso, Lottenberg integrou o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social durante o governo de Michel Temer.
Trajetória e Atuação em Diferentes Esferas
A atuação de Claudio Lottenberg transcende a área assistencial e de gestão hospitalar. Ele preside o Instituto Coalizão Saúde e a Confederação Israelita do Brasil (Conib). Sua incursão no setor de produtos com cannabis, como sócio da Zion MedPharma, empresa avaliada em R$ 60 milhões e criada em parceria com o ex-presidente da Anvisa, Dirceu Barbano, é vista como parte de sua defesa por novas tecnologias na medicina. Lottenberg compara a resistência ao uso da cannabis com preconceitos passados em relação a procedimentos como cirurgias de miopia e bariátricas.
A nomeação de Lottenberg não é inédita em discussões sobre o Ministério da Saúde em governos ligados à família Bolsonaro. Em 2020, ele foi cogitado para substituir Luiz Henrique Mandetta durante a pandemia de Covid-19, mas Nelson Teich foi o escolhido na ocasião. Um ano depois, Lottenberg criticou a condução federal da pandemia, defendendo uma atuação mais coordenada e um discurso unificado sobre medidas de prevenção e cuidados.
Ao comentar o convite de Flávio Bolsonaro, Lottenberg ressaltou sua dedicação de mais de 35 anos à saúde, tanto como médico quanto na gestão pública, enfatizando seu conhecimento dos desafios do SUS. Em declarações anteriores, ele já havia apontado para a necessidade de uma distribuição mais equitativa dos recursos destinados à saúde no Brasil, destacando a discrepância entre o percentual do PIB investido no setor e o número de pessoas atendidas pelo SUS.
A proposta de Flávio Bolsonaro de implementar o “padrão Einstein” no SUS visa, segundo o candidato, democratizar o acesso a um atendimento de alta qualidade, similar ao oferecido em instituições privadas de renome, para todos os cidadãos que dependem do sistema público de saúde.
