Inovação na saúde pública brasileira busca identificar o diabetes tipo 5, uma condição pouco conhecida e ligada a quadros nutricionais.
O Brasil dará início a um programa pioneiro de rastreamento para identificar pacientes com diabetes tipo 5, uma forma rara da doença que tem sido confundida com o tipo 1. A iniciativa, anunciada pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) em um congresso no Rio de Janeiro, terá como foco inicial as regiões Norte e Nordeste, áreas com maior incidência de insegurança alimentar e desnutrição, fatores diretamente associados ao desenvolvimento desta condição.
A importância do rastreamento reside na causa específica do diabetes tipo 5: problemas nutricionais. Especialistas suspeitam que um número considerável de brasileiros com essa condição esteja recebendo tratamento inadequado para diabetes tipo 1, o que pode acarretar riscos significativos à saúde dos pacientes. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), a Federação Internacional de Diabetes (IDF) e a Fiocruz também integram o esforço, com previsão de estudos colaborativos envolvendo a Unifesp e a UFRJ.
Embora identificado na década de 1950, o diabetes tipo 5 voltou a ganhar destaque no cenário médico após discussões em um encontro de especialistas na Índia no ano passado, conforme relatado por Hermelinda Pedrosa, vice-presidente da IDF e membro da SBD. A médica explica que a denominação “tipo 5” foi convencionada por unanimidade para distingui-lo das demais formas catalogadas.
Características e Riscos do Diabetes Tipo 5
O diabetes tipo 5 manifesta-se tipicamente em indivíduos muito magros, frequentemente com menos de 30 anos, que necessitam de doses menores de insulina em comparação com outros tipos de diabetes. Essas características, aliadas a um possível histórico familiar, levam frequentemente ao diagnóstico errôneo de diabetes tipo 1. Diferentemente do tipo 2, que está associado à resistência à insulina e frequentemente à obesidade, o tipo 5 não apresenta resistência ao hormônio nem risco de cetoacidose. Sua origem está na deficiência das células produtoras de insulina, decorrente de carências nutricionais.
O tratamento equivocado de pacientes com diabetes tipo 5 como se fossem tipo 1 pode resultar na administração de doses de insulina excessivas. Essa superdosagem pode desencadear hipoglicemia severa, uma queda drástica dos níveis de glicose no sangue, que em casos extremos pode levar a confusão mental, convulsões, perda de consciência, coma e até a morte. O risco é particularmente elevado quando a insulina é administrada sem a necessidade real de reposição hormonal adequada.
Novos Tratamentos e Perspectivas
Apesar da escassez de evidências sobre a remissão espontânea do diabetes tipo 5, a combinação de insulina ajustada com a correção da dieta do paciente pode levar ao controle glicêmico. A coleta de dados e o rastreamento desta condição são vistos como cruciais para o desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas. A iniciativa brasileira, ao focar em populações vulneráveis, busca não apenas diagnosticar, mas também aprofundar o conhecimento sobre a doença e suas particularidades no contexto brasileiro, abrindo caminho para tratamentos mais eficazes e personalizados.
A Federação Internacional de Diabetes estima que o Brasil conte com 16,6 milhões de adultos diagnosticados com diabetes. Deste total, cerca de 500 mil são casos de tipo 1, enquanto a vasta maioria, acima de 90%, é classificada como diabetes tipo 2.
