Alvos de Flávio Dino no STF questionam isenção do ministro em processos
Alvos de Flávio Dino no STF questionam isenção do ministro em processos

Alvos de Flávio Dino no STF questionam isenção do ministro em processos

Ministro Flávio Dino enfrenta contestações sobre imparcialidade em inquéritos no STF O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, está no centro de pedidos de afastamento da relatoria de inquéritos que tramitam na Corte e que envolvem adversários políticos no Maranhão. As ações, protocoladas em agosto de 2026, foram apresentadas pelo atual governador do […]

Resumo

Ministro Flávio Dino enfrenta contestações sobre imparcialidade em inquéritos no STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, está no centro de pedidos de afastamento da relatoria de inquéritos que tramitam na Corte e que envolvem adversários políticos no Maranhão. As ações, protocoladas em agosto de 2026, foram apresentadas pelo atual governador do estado, Carlos Brandão, e pelo ex-secretário Raimundo Cutrim. Ambos argumentam que a histórica rivalidade política local compromete a imparcialidade necessária para o julgamento dos casos, uma vez que o ministro atuou como governador do estado até 2022, quando deixou o cargo para seu então vice, Brandão.

O questionamento ganha força em virtude do racha político que se intensificou entre 2022 e 2024, após Dino deixar o governo. Grupos aliados ao ministro passaram a se opor à gestão atual, o que, segundo os investigados, cria um conflito de interesses. Eles sustentam que as decisões tomadas por Dino nesses processos afetam diretamente seus opositores locais, impedindo assim que o magistrado julgue os casos com a isenção exigida pelo cargo.

Alegações de Raimundo Cutrim e Carlos Brandão

O ex-secretário Raimundo Cutrim alega especificamente que Flávio Dino não possui isenção para investigá-lo. Segundo a defesa de Cutrim, existe um histórico de antagonismo pessoal e político entre ambos desde 2018. A situação é descrita como inusitada: enquanto Dino relata um inquérito contra Cutrim por obstrução de Justiça, o ministro figura como suposta vítima do ex-secretário em outro processo conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, sob acusação de perseguição e monitoramento ilegal. Os advogados de Cutrim argumentam que um juiz não pode decidir sobre a liberdade de alguém que o acusa de persegui-lo, pois sua segurança pessoal e familiar estaria diretamente ligada ao caso.

Por sua vez, o governador Carlos Brandão contesta a validade de um inquérito aberto por iniciativa do próprio Dino, sem pedido prévio do Ministério Público – prática conhecida como abertura “de ofício”. Essa investigação apura supostos esquemas de corrupção e desvio de verbas no Maranhão que envolveriam o grupo político do governador. Brandão argumenta, com base na lei, que governadores devem ser investigados sob a supervisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e não do Supremo. Sua defesa também critica a demora de mais de um ano do ministro em analisar recursos que solicitam a transferência do caso para o órgão competente.

Tramitação dos Pedidos no STF

Os pedidos de afastamento e transferência de foro seguem caminhos distintos dentro do STF. O pedido de impedimento apresentado por Cutrim foi encaminhado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Fachin deverá consultar Flávio Dino antes de tomar uma decisão monocrática ou submeter o caso à apreciação de todos os ministros em plenário. Já a solicitação de Carlos Brandão para transferir sua investigação para o STJ foi sorteada para o ministro Dias Toffoli. Toffoli possui a prerrogativa de conceder uma decisão urgente e individual ou, alternativamente, levar o caso para deliberação do plenário. Até o momento, não foram estabelecidos prazos definitivos para a resolução dessas questões.

As informações foram reunidas a partir de dados apurados pela equipe de reportagem da Gazeta do Povo.

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