Entidades lamentam decisões judiciais que impediram realização do debate e criticam interferência no processo democrático.
Associações de imprensa expressaram nesta quinta-feira (1º) profunda indignação com o que chamam de “intervenção judicial” por parte do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que culminaram no cancelamento do debate presidencial previamente agendado pela TV Globo. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) emitiram nota conjunta criticando as ações.
Em sua manifestação, as entidades argumentam que a interferência judicial transcende a imposição de obrigações a uma emissora privada, configurando uma “agressão à liberdade de imprensa”. Segundo as associações, a decisão forçou a condução do debate em desacordo com regras estabelecidas meses antes entre a emissora e os partidos políticos. “Infelizmente, os excessos judiciais atropelaram o direito de os cidadãos terem acesso às propostas dos candidatos que, conforme prevê a lei eleitoral, já tinham sido convidados e se dispuseram a participar do debate”, afirmaram.
Decisões judiciais e desistência de candidato geram impasse
O cancelamento do debate ocorreu após uma série de decisões judiciais e a desistência de um dos candidatos. A ministra Estela Aranha, do TSE, determinou que a TV Globo não poderia exibir um púlpito vazio com a identificação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que perguntas direcionadas a ele deveriam ser impedidas. Em resposta a essa decisão, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, anunciou sua desistência, alegando “censura imposta ao evento” pelo TSE.
Posteriormente, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a inclusão de Renan Santos, candidato do Missão, no debate. Diante desse cenário de indefinição e das decisões conflitantes, a TV Globo optou por cancelar a realização do evento, criticando a interferência do Poder Judiciário no formato e na condução do debate.
