Luto e dor marcam audiência sobre canadense que vendia veneno para suicídio
Luto e dor marcam audiência sobre canadense que vendia veneno para suicídio

Luto e dor marcam audiência sobre canadense que vendia veneno para suicídio

Vítimas e familiares expressam dor dilacerante em tribunal O tribunal de Newmarket, perto de Toronto, foi palco de relatos de profunda dor e perda nesta quarta-feira (23), durante a audiência de sentença de Kenneth Law. O ex-chef de cozinha canadense, que se declarou culpado em maio de auxiliar no suicídio de 14 pessoas em seu […]

Resumo

Vítimas e familiares expressam dor dilacerante em tribunal

O tribunal de Newmarket, perto de Toronto, foi palco de relatos de profunda dor e perda nesta quarta-feira (23), durante a audiência de sentença de Kenneth Law. O ex-chef de cozinha canadense, que se declarou culpado em maio de auxiliar no suicídio de 14 pessoas em seu país, ouviu depoimentos emocionados de familiares que perderam entes queridos para substâncias letais que ele vendia online. A juíza Michelle Fuerst reservou quatro dias para ouvir as declarações de impacto e outras provas antes de decidir a pena.

Maria Lopez, mãe de Jeshennia Bedoya-Lopez, que morreu aos 18 anos em 2022, expressou a agonia de saber que sua filha não voltará. “Não consigo parar de pensar que minha menina nunca mais voltará”, disse, em uma declaração lida pelos promotores. Seu marido, Leonardo Bedoya, complementou: “O futuro que havíamos imaginado como família desapareceu”. Dezenas de outras famílias que perderam entes queridos para produtos vendidos por Law prestarão depoimentos nos próximos dias.

As informações foram reunidas a partir de relatos divulgados pela imprensa canadense, incluindo o Globe and Mail.

Indignação e pedido de justiça contra o réu

Apesar de Law ter se declarado culpado de auxiliar ao suicídio, e não de homicídio, devido à complexidade das provas em fóruns online, muitas famílias manifestam indignação. Eles argumentam que Law deveria ser responsabilizado diretamente pela morte de jovens e vulneráveis. “Esse homem, Kenneth Law, deve ser tratado pelo que é: um assassino em série. Porque ali, no tribunal, ele não demonstra remorso algum”, declarou Bedoya a jornalistas.

Adrienne Dalli, irmã de Maurizio Vadala, também compartilhou sua dor: “Já não sou a mesma pessoa que era antes da morte do meu irmão. O luto agora faz parte de tudo o que faço”. Especialistas jurídicos indicam que os promotores devem pedir uma pena severa por auxílio ao suicídio, que pode chegar a 20 anos de prisão.

Alcance global da venda de veneno e a defesa do réu

Kenneth Law, na faixa dos 60 anos, vendia veneno para pessoas em pelo menos 41 países, incluindo China, França e Brasil. No Reino Unido, 79 mortes foram ligadas a ele, segundo os promotores canadenses, que confirmaram a venda de 330 pacotes para o país. Norson Harris, pai de Ashleigh Harris, que morreu aos 26 anos em 2023, viajou do Reino Unido para testemunhar, afirmando que a morte da filha causou um impacto profundo e que a família agora faz parte de um “clube do qual ninguém quer ser membro”.

Em declarações à imprensa canadense, Law afirmou que estava “apenas tentando atender a uma necessidade que considerava humana” e que “não era um louco diabólico”. Ele se considerava isento de culpa, pois não tomava a decisão final de encerrar a vida de ninguém, apenas fornecia um produto. Antes de se dedicar aos fóruns online sobre suicídio durante a pandemia de Covid-19, Law trabalhou como chef de cozinha em um hotel de luxo em Toronto. O material era geralmente vendido por cerca de US$ 80.

Ainda não há previsão de quando a juíza Michelle Fuerst anunciará a sentença.

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