Aliança inédita contra o crime organizado
Os Estados Unidos e outros 14 países do continente americano anunciaram nesta terça-feira (22) um plano de ação coordenado contra 24 organizações criminosas transnacionais que operam nas Américas. Entre os alvos estão facções brasileiras de grande expressão, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), além de grupos como a Mara Salvatrucha (MS-13), o Tren de Aragua e cartéis mexicanos de peso.
A iniciativa, batizada de Escudo das Américas, é a primeira ação conjunta significativa do grupo desde a criação de novos pilares de cooperação. A declaração conjunta, divulgada pelo Departamento de Estado americano após uma reunião em Nova York, à margem da Assembleia-Geral da ONU, ressalta que essas organizações representam uma ameaça à paz, segurança e prosperidade do continente.
Os países signatários, incluindo Argentina, Chile, Colômbia, Peru e Equador, comprometeram-se a aplicar medidas como congelamento de bens, restrições de visto e imigração, e a responsabilização criminal de indivíduos que forneçam apoio material e logístico a esses grupos. Brasil e México não fazem parte do Escudo das Américas atualmente.
Trump declara guerra aos cartéis
Durante o evento, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom mais incisivo, classificando as organizações criminosas como terroristas e forças paramilitares que promovem uma guerra contra os povos do hemisfério. “Eles estão travando uma guerra contra os povos deste hemisfério. Agora estamos travando uma guerra contra eles”, declarou Trump, prometendo apoio americano no enfrentamento dessas redes.
Trump definiu o Escudo das Américas como a “maior e mais poderosa aliança” já reunida no Hemisfério Ocidental para tratar de segurança econômica e nacional, uma coalizão lançada por sua administração em março para intensificar a cooperação regional contra o crime transnacional.
Ampliação do combate e cooperação internacional
A declaração conjunta também prevê levar o combate ao crime organizado para dentro da Organização dos Estados Americanos (OEA). Os países pretendem solicitar uma reunião de consulta com base no Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR) para discutir uma resolução que facilite ações coletivas contra as organizações listadas.
Além das sanções, o Escudo das Américas ampliará o escopo da cooperação para incluir o compartilhamento de inteligência, acesso a tecnologias de segurança, treinamentos conjuntos e troca de informações e práticas no combate ao crime transnacional. O grupo também pretende discutir mecanismos de análise de investimentos, proteger cadeias de suprimentos de minerais críticos e coordenar posições em fóruns internacionais. Trump ainda pediu a proteção de recursos estratégicos do continente contra a influência de potências estrangeiras consideradas hostis.
