Vacinação nas escolas: estratégia amplia acesso de adolescentes à proteção contra HPV
Vacinação nas escolas: estratégia amplia acesso de adolescentes à proteção contra HPV

Vacinação nas escolas: estratégia amplia acesso de adolescentes à proteção contra HPV

A escola como aliada na proteção contra o HPV A dificuldade em levar adolescentes aos serviços de saúde é um dos principais entraves para a ampliação da vacinação nessa faixa etária no Brasil. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, revelam que quase metade dos estudantes da rede pública […]

Resumo

A escola como aliada na proteção contra o HPV

A dificuldade em levar adolescentes aos serviços de saúde é um dos principais entraves para a ampliação da vacinação nessa faixa etária no Brasil. Dados recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE, revelam que quase metade dos estudantes da rede pública não buscou nenhum tipo de atendimento em 2024. No contexto da vacina contra o HPV, um vírus associado a diversos tipos de câncer, como o de colo de útero, a escola surge como um espaço estratégico para reverter esse quadro.

A falta de informação sobre a importância da vacina é um fator relevante para a baixa adesão. Em uma edição anterior da PeNSE, 46,8% dos estudantes não vacinados declararam desconhecer a necessidade da imunização. Especialistas como Edson Moreira, médico especialista em saúde pública e epidemiologia da Fiocruz Bahia, destacam o papel fundamental das instituições de ensino por concentrarem o público-alvo. A aproximação entre as redes de educação e saúde, conforme aponta Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), permite não só a discussão sobre vacinação e ISTs, mas também o envolvimento dos pais no processo.

A experiência de Carina Veiga, 20, moradora da zona rural de Itapecerica da Serra (SP), ilustra os benefícios dessa abordagem. Ela recebeu a vacina contra o HPV na escola, um local mais acessível do que o posto de saúde, especialmente para famílias com pais que trabalham e dependem de transporte. Na escola, Carina teve o primeiro contato com informações sobre o vírus e a importância da vacina, com profissionais do SUS conversando com os alunos antes da aplicação. A presença de colegas e o ambiente familiar tornaram o momento da vacinação mais tranquilo e encorajador.

Paraná lidera com estratégia integrada de saúde e educação

O estado do Paraná se destaca como a unidade federativa com maior índice de vacinação contra o HPV no país, em grande parte devido à sua estratégia de integração entre saúde e educação. O governo estadual implementou espaços de vacinação dentro das escolas, abertos a alunos, professores e funcionários. Essa iniciativa também se expandiu para outros locais frequentados por jovens, como terminais de ônibus e universidades.

Desde 2018, o Paraná exige a apresentação da carteira de vacinação atualizada para matrícula e rematrícula em escolas públicas e privadas. Embora alunos não vacinados não sejam impedidos de estudar, as instituições informam o Conselho Tutelar sobre a falta do documento. Essa medida inspirou legislações ou diretrizes similares em pelo menos outros 16 estados brasileiros.

Desafios persistentes e a importância da comunicação

Apesar da alta cobertura vacinal, o Paraná ainda enfrenta desafios como disparidades regionais e socioeconômicas, além de áreas de difícil acesso e maior resistência à vacinação. O estado monitora dados de suas regionais de saúde para adaptar as estratégias de vacinação e comunicação. Um obstáculo significativo dentro das escolas é a falta de adesão de algumas famílias, que precisam autorizar a aplicação das doses. Preocupações com possíveis eventos adversos são comuns.

Para Mônica Levi, da SBIm, a abordagem nesses casos deve ser individualizada, com profissionais capacitados para dialogar com os responsáveis, ouvir suas dúvidas e apresentar informações claras sobre a segurança e os benefícios das vacinas. Ela ressalta que a maioria dos pais não é contrária à imunização, mas sim hesitante, e pode mudar de opinião com orientação adequada. A reportagem foi produzida durante o 11º Programa de Treinamento em Jornalismo de Saúde da Folha, com apoio do Einstein Hospital Israelita e do Laboratório Roche.

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