Investigação apura possível transmissão de doenças após uso compartilhado de lanceta em feira de ciências no Colégio-Curso Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou uma investigação sobre o compartilhamento de uma lanceta, material utilizado para a coleta de sangue capilar, durante uma feira de ciências realizada no último sábado (12) no Colégio-Curso Tamandaré, Unidade Recreio II, na zona oeste da capital fluminense. O incidente envolveu estudantes e visitantes do evento, que se propunha a apresentar trabalhos sobre diversas áreas do conhecimento.
Segundo relatos da própria instituição de ensino, uma aluna levou para a feira um lancetador e uma caixa de lancetas com o objetivo de demonstrar um trabalho sobre diabetes. A orientação da coordenação e dos professores, conforme divulgado pela escola, era de que o material servisse apenas para exibição, sem a realização de testes em pessoas. No entanto, a estudante teria utilizado o dispositivo para medir a glicemia de alguns visitantes, e há a informação de que uma mesma lanceta foi empregada em até três indivíduos.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, pela Secretaria Municipal de Saúde e pelo Colégio-Curso Tamandaré.
Atendimento médico e acompanhamento dos expostos
Diante do ocorrido, a Secretaria Municipal de Saúde informou que 27 pessoas foram atendidas em hospitais da rede pública e particular. Os indivíduos receberam cuidados iniciais e permanecerão em acompanhamento nas unidades de atenção primária. A pasta não forneceu detalhes sobre os casos específicos, alegando a necessidade de preservar a privacidade dos pacientes e seus responsáveis.
O colégio Tamandaré afirma que a atividade foi suspensa assim que a equipe pedagógica tomou conhecimento do uso indevido do material. O aparelho e as lancetas foram recolhidos, e a responsável pela aluna, que estava presente na feira, foi informada sobre a situação. A instituição declarou ter contatado a Secretaria Municipal de Saúde no mesmo dia e, seguindo as orientações recebidas, comunicou as famílias envolvidas sobre a importância de buscar atendimento médico em até 72 horas. Foram enviados cinco comunicados entre sábado e domingo por diferentes canais.
Investigação e suporte aos alunos
A escola também mencionou que 21 pessoas testadas apresentaram resultados negativos, embora não tenha especificado a natureza dos exames realizados. A Secretaria de Saúde foi questionada sobre essa informação, mas não se pronunciou até o fechamento desta matéria. Dez alunos que participaram da atividade estão sob acompanhamento médico e psicológico. O colégio disponibilizou uma equipe de plantão para atender às famílias e contratou uma infectologista pediátrica para oferecer consultas mediante agendamento. A investigação está a cargo da 42ª Delegacia de Polícia (Recreio dos Bandeirantes).
