Proposta de Delação Premiada Foca em Esquemas Bilionários
O empresário João Carlos Mansur, ex-dono da Reag Investimentos, está em negociações avançadas com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para firmar um acordo de delação premiada. O foco principal da proposta é desvendar supostos esquemas financeiros bilionários liderados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Mansur, que já esteve sob investigação da Polícia Federal em operações como Carbono Oculto e Compliance Zero, pretende detalhar como a Reag Investimentos atuava na estruturação de operações financeiras para ocultar beneficiários e desviar recursos desde 2019. Para viabilizar o acordo, que se encontra em fase final de ajustes, o empresário se dispõe a pagar uma multa de R$ 40 milhões, valor que ele alega ter recebido da Reag durante o período de atuação da empresa.
As informações foram apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
ACM Neto e Jaques Wagner Citados em Transações Financeiras
A proposta de delação de Mansur também alcança figuras políticas proeminentes da Bahia. O ex-prefeito ACM Neto é mencionado como proprietário de um fundo exclusivo, o Seattle 95, administrado pela Reag. Conforme os registros, este fundo teria investido milhões no fundo Structure, este último associado a empréstimos do Banco Master. O patrimônio de Neto apresentou um crescimento expressivo por meio dessas aplicações, chegando perto de R$ 12 milhões em 2025. Em sua defesa, ACM Neto nega qualquer irregularidade, afirmando que seus recursos possuem origem lícita e declarada, que a rentabilidade obtida seguiu padrões de mercado e que todos os impostos foram pagos com transparência, posicionando-se apenas como cliente da administradora.
O senador Jaques Wagner também é citado na proposta de delação. Mansur menciona ter adquirido ingressos para um show internacional para o senador. Adicionalmente, a investigação acompanha fundos administrados pela Reag que pertencem a ex-sócios de Vorcaro e que teriam proximidade com o parlamentar. Jaques Wagner, por sua vez, declarou publicamente não conhecer João Carlos Mansur e não ter mantido relações comerciais ou profissionais com a Reag. Quanto aos ingressos, o senador explicou que se tratou de um pedido pessoal a um amigo para conseguir as entradas, sem qualquer vínculo ilícito com as empresas envolvidas.
Próximos Passos do Acordo de Delação
A proposta de delação premiada, composta por 17 anexos com documentos e relatos sobre crimes financeiros e estruturas offshore, ainda necessita das assinaturas formais para prosseguir para a esfera judicial. O próximo passo crucial é o envio do acordo ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atua como relator do caso. Caberá ao magistrado analisar a conformidade da proposta com os requisitos legais e a suficiência das provas apresentadas para conceder os benefícios ao colaborador. A PGR considera o acordo uma via promissora para a identificação e recuperação de valores desviados do Banco Master.
