Caminhar mais pode ser tão eficaz quanto treinar na academia para controlar a asma
Caminhar mais pode ser tão eficaz quanto treinar na academia para controlar a asma

Caminhar mais pode ser tão eficaz quanto treinar na academia para controlar a asma

Aumentar a quantidade de passos diários pode ser uma alternativa tão eficaz quanto o treinamento aeróbico estruturado para o controle da asma moderada a grave. Essa descoberta, liderada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicada na revista Pulmonology, sugere que ambas as abordagens melhoram a qualidade de vida, reduzem sintomas de ansiedade […]

Resumo

Aumentar a quantidade de passos diários pode ser uma alternativa tão eficaz quanto o treinamento aeróbico estruturado para o controle da asma moderada a grave. Essa descoberta, liderada por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e publicada na revista Pulmonology, sugere que ambas as abordagens melhoram a qualidade de vida, reduzem sintomas de ansiedade e depressão e mantêm a doença sob controle a médio prazo. Os achados oferecem opções de tratamento não farmacológico mais flexíveis e acessíveis para médicos e pacientes.

A pesquisa, que faz parte do doutorado do fisioterapeuta David Halen Araújo Pinheiro na Faculdade de Medicina da USP, envolveu 52 participantes com asma moderada a grave não controlada. Os voluntários, que antes da pesquisa eram sedentários e recebiam tratamento médico há pelo menos seis meses, foram divididos aleatoriamente em dois grupos. Uma das intervenções consistiu em duas sessões semanais de 45 minutos de treinamento aeróbico em esteira ergométrica com supervisão profissional. O outro grupo participou de sessões semanais de até 90 minutos, focadas em aconselhamento, incentivo ao aumento da atividade física e estabelecimento de metas de caminhada, sendo equipados com smartwatches para monitorar seus passos.

Ambas as intervenções tiveram duração de oito semanas, com reavaliações realizadas imediatamente após o término e quatro meses depois. Os participantes foram avaliados quanto à atividade física, controle clínico da asma, qualidade de vida e sintomas de depressão e ansiedade. Os resultados indicaram que os dois grupos apresentaram menos sintomas respiratórios e mantiveram esses benefícios quatro meses após o fim das intervenções. A maioria dos participantes era composta por mulheres com sobrepeso ou obesidade grau 1, que relatavam sintomas de ansiedade, depressão e baixa qualidade de vida antes do estudo.

Benefícios comparáveis, mas com abordagens distintas

“Ambas as intervenções são benéficas para o paciente e proporcionam um melhor controle clínico da doença. E, em nosso resultado, nenhuma das estratégias se sobressaiu à outra”, ressalta Pinheiro. Ele explica que, enquanto o treinamento aeróbico requer mais estrutura e supervisão, a simples prática de caminhada, ao aumentar o número diário de passos, também contribui para o controle da doença e a melhora da qualidade de vida, além de atenuar sintomas de ansiedade e depressão.

No acompanhamento de quatro meses, observou-se que, embora ambos os grupos tenham mantido um número de passos superior ao basal, o grupo que recebeu intervenção comportamental registrou um aumento ligeiramente maior de passos diários em comparação com o grupo de treinamento aeróbico. Fatores como variações climáticas foram apontados como motivos para a descontinuidade das atividades por parte de alguns participantes.

É fundamental ressaltar que tanto o treinamento aeróbico quanto o aumento de passos diários devem ser considerados complementos ao tratamento medicamentoso prescrito pelo médico. O uso contínuo da medicação, conforme preconizado por organizações internacionais como a Iniciativa Global para a Asma (Gina), é essencial para o manejo eficaz da doença. Os achados deste estudo reforçam a importância de estratégias de exercício físico acessíveis e adaptáveis para a população com asma, promovendo uma abordagem mais integrada e centrada no paciente.

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