Traição de aliados faz aprovação de pautas do Planalto despencar 40% no Congresso
Traição de aliados faz aprovação de pautas do Planalto despencar 40% no Congresso

Traição de aliados faz aprovação de pautas do Planalto despencar 40% no Congresso

Aprovação de pautas governamentais no Congresso Nacional sofreu uma retração expressiva no primeiro semestre de 2026, evidenciando um enfraquecimento significativo na capacidade de articulação do governo Lula. Um relatório da consultoria Ética Inteligência Política, divulgado em julho, revela que a taxa de aprovação das matérias enviadas pelo Executivo caiu vertiginosamente em ambas as Casas legislativas, […]

Resumo

Aprovação de pautas governamentais no Congresso Nacional sofreu uma retração expressiva no primeiro semestre de 2026, evidenciando um enfraquecimento significativo na capacidade de articulação do governo Lula. Um relatório da consultoria Ética Inteligência Política, divulgado em julho, revela que a taxa de aprovação das matérias enviadas pelo Executivo caiu vertiginosamente em ambas as Casas legislativas, com a fidelidade da base aliada desmoronando pela metade em comparação com o ano anterior.

No Senado Federal, onde a gestão petista detinha uma margem de manobra mais confortável, a aprovação de pautas governamentais despencou 36,5 pontos percentuais, passando de 75% em 2025 para 38,5% no primeiro semestre de 2026. Já na Câmara dos Deputados, a queda foi de aproximadamente 20 pontos percentuais, recuando de 58% em 2025 para 38% neste ano. O levantamento abrangeu votações nominais de alto impacto fiscal e político, com dados consolidados até junho de 2026.

O estudo indica que a fidelidade de partidos como PSD, União Brasil e Podemos, que ocupam cargos de alto escalão e ministérios, caiu de 80% em 2025 para 40% em 2026. Partidos como PP, MDB e Republicanos, também com presença na Esplanada dos Ministérios, viram seu apoio recuar para a faixa dos 40%, com diversos parlamentares votando abertamente contra pautas de interesse direto do governo.

Fim da dependência de emendas e fortalecimento da oposição

A consultoria aponta que a fidelidade de parte da base aliada estava atrelada à liberação de emendas parlamentares. Com a garantia de pagamento das emendas impositivas, de execução obrigatória, durante o primeiro semestre do ano eleitoral, deputados e senadores ganharam maior autonomia em relação ao Planalto. Paralelamente, a janela partidária na Câmara dos Deputados fortaleceu a oposição. O Partido Liberal (PL), do ex-presidente Jair Bolsonaro, ampliou sua bancada de 87 para 97 deputados federais, diminuindo ainda mais a margem de articulação governista.

Recorde de vetos derrubados pelo Congresso

O enfraquecimento do governo Lula no Congresso também se reflete nas votações de vetos presidenciais. Em três anos de mandato, 43 dos 87 vetos analisados foram derrubados, configurando uma taxa de rejeição de 49%, inédita em duas décadas e superior à de todos os presidentes anteriores, incluindo os próprios governos de Lula. Atualmente, 96 matérias vetadas pelo Planalto aguardam análise parlamentar, com 70 delas prontas para votação em sessões conjuntas. Cerca de 50 desses itens já ultrapassaram o prazo constitucional de 30 dias para apreciação, trancando a pauta do Congresso.

Juan Carlos Arruda, diretor do Ranking dos Políticos, destaca que o alto índice de rejeição de vetos evidencia não apenas falhas de articulação do Planalto, mas uma transformação na relação entre os Poderes. Para o cientista político Marcos Quadros, a autonomia dos parlamentares em deliberar sobre pautas e a infidelidade partidária são partes do jogo político, refletindo, em última instância, a capacidade de avaliação dos eleitores.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela consultoria Ética Inteligência Política e pelo portal Poder360.

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