Influenciadoras celebram a solidão como estilo de vida e desafiam estigmas
Influenciadoras celebram a solidão como estilo de vida e desafiam estigmas

Influenciadoras celebram a solidão como estilo de vida e desafiam estigmas

A ascensão das ‘influenciadoras da solidão’ Em um canto cada vez mais popular do TikTok e Instagram, um grupo de criadoras de conteúdo, majoritariamente mulheres, tem compartilhado suas vidas focadas na paz e na solidão. Longe da pressão por uma vida social agitada, elas documentam rituais de autocuidado, passeios solitários e até mesmo os percalços […]

Resumo

A ascensão das ‘influenciadoras da solidão’

Em um canto cada vez mais popular do TikTok e Instagram, um grupo de criadoras de conteúdo, majoritariamente mulheres, tem compartilhado suas vidas focadas na paz e na solidão. Longe da pressão por uma vida social agitada, elas documentam rituais de autocuidado, passeios solitários e até mesmo os percalços do dia a dia, como ficar trancada para fora de casa. Lana Isa, uma gerente de vendas de software de 20 e poucos anos, viralizou ao mostrar sua rotina de sexta à noite: preparar uma pizza congelada, acender uma vela e assistir TV sozinha. O vídeo, que acumulou sete milhões de visualizações, expôs uma realidade que ressoou com milhares de pessoas.

Isa faz parte de um movimento que busca desmistificar a solidão, apresentando-a não como um estado de carência, mas como uma escolha consciente para priorizar o bem-estar e a independência. Para ela, compartilhar os aspectos de sua vida sem amigos próximos não foi um slogan, mas a pura realidade que vive há anos, após mudanças de escola, o isolamento da pandemia e uma decepção amorosa. A redescoberta de si mesma em momentos de solidão a levou a criar conteúdo que, surpreendentemente, atraiu uma vasta audiência.

As informações foram reunidas a partir de reportagens da BBC News Brasil.

Desafiando o estigma da solidão

Apesar da conexão genuína que suas postagens criaram, as chamadas “influenciadoras da solidão” também enfrentam críticas. Algumas as acusam de romantizar o isolamento e de promover um “sentimento de derrota complacente”. No entanto, criadoras como Devon Noehring, que se define como introvertida, refutam essa interpretação. Para ela, os vídeos que mostram fins de semana tranquilas em casa, cozinhando e relaxando com seu cachorro, são uma celebração da independência e uma forma de recarregar energias, e não um sintoma de tristeza.

“É exatamente o oposto da intenção dos nossos vídeos”, afirma Noehring. “Eu simplesmente detesto o estigma de que estar sozinho é sinônimo de solidão.” Ela compartilha que, após confessar suas inseguranças online, descobriu uma comunidade de outros introvertidos que se identificavam com suas experiências, mostrando que a solidão escolhida pode ser um espaço de liberdade e autoconhecimento.

Solidão escolhida versus solidão imposta

Pesquisadores da área da saúde buscam diferenciar a solidão crônica, muitas vezes imposta por circunstâncias, da solidão autônoma, escolhida por indivíduos. Melody Ding, epidemiologista da Universidade de Sydney, ressalta que, embora a solidão possa ser um sentimento universal, a pressão social para estar sempre conectado pode criar expectativas irreais. Ela reconhece o apelo de apresentar a vida solitária de forma atraente, mas alerta para a importância fundamental da conexão social para o bem-estar humano.

“Somos uma espécie social. Sobrevivemos melhor em companhia, com pessoas ao nosso redor”, explica Ding. Ela espera que aqueles que passaram por perdas de relacionamentos possam, eventualmente, encontrar novas conexões e valorizar os laços sociais positivos e nutritivos. Mesmo para as influenciadoras que celebram a vida solitária, a intenção não é permanecer permanentemente isoladas, mas sim encontrar um equilíbrio e construir relacionamentos significativos quando se sentirem prontas.

Um contraponto à cultura de perfeição online

Em um cenário de mídias sociais dominado por estilos de vida aspiracionais e o constante “medo de ficar de fora” (FOMO), o surgimento dessas influenciadoras oferece uma validação para quem se identifica com uma vida menos convencional. Anne Oeldorf-Hirsch, especialista em comunidades online da Universidade de Connecticut, aponta que há uma crescente rejeição à ideia de que as redes sociais mostram apenas a “vida perfeita”. O conteúdo sobre solidão, segundo ela, preenche uma necessidade social, oferecendo um contraponto autêntico à cultura hiperglamourizada dos influenciadores.

“Estamos nos voltando para influenciadores mais autênticos, que vivem suas vidas de verdade”, diz Oeldorf-Hirsch. “Só queremos encontrar pessoas com quem nos identifiquemos.” Para criadoras como SJ Hoadley, que começou a documentar sua vida solitária após sair de um relacionamento abusivo, a experiência tem sido de redescoberta e conforto na própria companhia. “Acho que, às vezes, minha falta de amigos tende a incomodar mais as pessoas ao meu redor do que a mim mesma.” A validação recebida online tem encorajado essas mulheres a buscar novas amizades e a reforçar a mensagem de que não existe uma única forma “correta” de viver a vida.

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