Violência contra profissionais de enfermagem em SP: 7 em cada 10 relatam agressões
Violência contra profissionais de enfermagem em SP: 7 em cada 10 relatam agressões

Violência contra profissionais de enfermagem em SP: 7 em cada 10 relatam agressões

A rotina de medo e agressões na enfermagem paulista Sete em cada dez profissionais de enfermagem no estado de São Paulo vivenciaram algum tipo de violência em seu ambiente de trabalho nos últimos 12 meses. Essa alarmante estatística, divulgada por um levantamento recente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), revela que 72,6% […]

Resumo

A rotina de medo e agressões na enfermagem paulista

Sete em cada dez profissionais de enfermagem no estado de São Paulo vivenciaram algum tipo de violência em seu ambiente de trabalho nos últimos 12 meses. Essa alarmante estatística, divulgada por um levantamento recente do Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), revela que 72,6% de enfermeiros, técnicos e auxiliares foram vítimas de agressões. Desses, 41,3% sofreram mais de uma vez e 15,5% relatam frequência na ocorrência.

A pesquisa, que ouviu 4.402 profissionais entre os dias 20 e 24 de julho, abrange cerca de 670 mil profissionais ativos no estado. Apesar de o índice ser ligeiramente menor que o registrado em maio de 2025 (80,3%), o Coren-SP demonstra surpresa, uma vez que esperava uma redução mais significativa após as campanhas de prevenção realizadas no último ano. Os relatos incluem desde agressões físicas, como chutes e socos, até violências verbais, psicológicas e, em menor escala, sexuais e de gênero.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo Coren-SP.

Causas e Agressores: um ciclo de frustração

A principal causa apontada para as agressões é a demora no atendimento, citada por 63,9% dos profissionais. A precariedade da estrutura física (55,1%) e a insatisfação com a assistência recebida (45,8%) também figuram como motivos relevantes. Os agressores, em sua maioria, são pacientes (68,1%), seguidos por familiares (59,6%) e acompanhantes (50,7%).

Sérgio Cleto, presidente do Coren-SP, reconhece o peso dos fatores estruturais, como o déficit de profissionais e a sobrecarga do sistema público de saúde. “Uma pessoa com dor, aguardando muito tempo, acaba descarregando no profissional. Não que justifique, mas explica”, afirma. Essa realidade se reflete nos dados: 71,6% das agressões ocorreram em serviços públicos ou vinculados ao SUS, quase o dobro da rede privada (36,9%).

Avanços Legislativos e a Luta por Segurança

Em resposta à crescente onda de violência, o tema tem ganhado espaço no debate público e legislativo. Na última terça-feira (4), a Câmara Municipal de São Paulo sediou uma audiência pública para discutir o assunto. Um projeto de lei em tramitação na casa propõe a obrigatoriedade de unidades de saúde do município implementarem políticas de prevenção, registro, acolhimento e resposta a casos de violência e assédio contra a enfermagem. Medidas como controle de acesso, botões de pânico e atendimento médico e psicológico imediato estão entre as propostas.

No âmbito federal, o Senado aprovou um projeto de lei que visa aumentar as penas para crimes cometidos contra profissionais da saúde e da educação, como lesão corporal, ameaça e homicídio. O texto, que já passou pela Câmara dos Deputados, retornará para nova análise após alterações no Senado.

O Silêncio das Vítimas e a Falta de Apoio

Apesar da alta incidência, apenas 30,1% das vítimas formalizaram alguma denúncia. A sensação de impunidade (59,5%), a falta de apoio institucional (54,5%) e o medo de perder o emprego (42,7%) são os principais motivos para o silêncio. Para aqueles que denunciam, os resultados são frustrantes: 65,2% relatam que a denúncia não gerou qualquer desfecho, e apenas 5,7% viram o agressor ser punido.

A falta de apoio após as agressões também é um ponto crítico. Apenas 27,7% dos profissionais afirmam que o local de trabalho oferece algum tipo de suporte, enquanto 50,3% declaram não ter nenhum tipo de amparo. O Coren-SP tem buscado mitigar essa lacuna, criando um canal de denúncia em seu aplicativo e site, além de oferecer apoio psicológico aos profissionais afastados por danos decorrentes das agressões. O conselho também tem participado de audiências públicas e se reunido com secretarias municipais de saúde para discutir protocolos de segurança e dimensionamento de equipes.

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