Venda de embalagens vazias de canetas emagrecedoras no Alibaba levanta alerta sobre falsificação
Venda de embalagens vazias de canetas emagrecedoras no Alibaba levanta alerta sobre falsificação

Venda de embalagens vazias de canetas emagrecedoras no Alibaba levanta alerta sobre falsificação

Alerta de fraude: Embalagens para canetas emagrecedoras à venda no Alibaba podem impulsionar mercado de falsificações Caixas, rótulos e canetas injetoras vazias, passíveis de personalização para imitar medicamentos originais, estão sendo comercializadas no Alibaba, um dos maiores sites de comércio eletrônico do mundo. A oferta, que inclui a possibilidade de compra em grandes volumes e […]

Resumo

Alerta de fraude: Embalagens para canetas emagrecedoras à venda no Alibaba podem impulsionar mercado de falsificações

Caixas, rótulos e canetas injetoras vazias, passíveis de personalização para imitar medicamentos originais, estão sendo comercializadas no Alibaba, um dos maiores sites de comércio eletrônico do mundo. A oferta, que inclui a possibilidade de compra em grandes volumes e sob medida, acende um sinal vermelho para a criação de falsificações de canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, fora da cadeia oficial da indústria farmacêutica.

Os anúncios detalham a venda de mil unidades de canetas “em branco” a partir de R$ 8,25, com opções de personalização que incluem o nome da marca e especificações de dosagem. Essa disponibilidade de componentes abre caminho para que produtos apócrifos sejam montados e vendidos como originais, representando um risco à saúde pública e um prejuízo financeiro para consumidores e empresas legítimas.

A reportagem contatou a Anvisa e a Receita Federal, que afirmaram que a venda desses materiais, por si só, não configura infração e que só atuam mediante a constatação de um “fato concreto” de irregularidade. Contudo, entidades de combate à falsificação e representantes do setor farmacêutico alertam que a oferta desses insumos facilita a disseminação de produtos falsificados e defendem uma ação preventiva do poder público. O Alibaba, procurado para comentar o caso, optou por não se manifestar.

Riscos à saúde e facilitação da fraude

Especialistas em saúde alertam para os perigos de medicamentos falsificados. A endocrinologista Maria Edna de Mello, do Hospital das Clínicas da USP, explica que produtos montados em condições clandestinas, utilizando embalagens personalizadas, estão sujeitos a contaminação, especialmente por bactérias. Uma simples solução salina pode causar prejuízo financeiro, mas a contaminação bacteriana pode levar a infecções graves, feridas e até necrose tecidual. Efeitos mais severos são imprevisíveis, dada a incerteza sobre o conteúdo real desses produtos.

A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) aponta que o comércio eletrônico se tornou um canal significativo para produtos ilegais, saltando de 8% para 36% antes e depois da pandemia. Medicamentos falsificados já representariam cerca de 20% do mercado total no Brasil, com perdas estimadas em mais de R$ 4,6 bilhões em 2025. A alta demanda, a diferença de preço e as fragilidades na fiscalização são apontadas como os principais motores da expansão das falsificações.

A ABCF descreve diferentes modalidades de fraude, incluindo a falsificação direta, onde embalagens e rótulos originais são usados com substâncias incorretas ou inertes; a manipulação industrial proibida de princípios ativos como semaglutida e tirzepatida; e a produção de substâncias sem registro global, como a retatrutida, que está em fase experimental.

Posicionamento das autoridades e do mercado

Tanto a Anvisa quanto a Receita Federal consideram que a venda de embalagens personalizáveis, por si só, não constitui infração e que a fiscalização se dá em casos de irregularidade comprovada. A Anvisa destacou que os anúncios parecem se referir a produtos vendidos em sites estrangeiros, o que, em princípio, os colocaria fora de seu escopo fiscalizatório. A Receita Federal reiterou que medidas de fiscalização só ocorrem diante de “indícios concretos de irregularidade”.

Em contrapartida, especialistas e entidades de defesa do consumidor divergem. Claudia Silvano, professora de direito do consumidor, considera a venda “super temerária” e um risco à saúde e segurança do consumidor. Patricia Giordani, do Conselho Federal de Farmácia, afirma que o aspecto visual dos dispositivos pode criar uma falsa percepção de qualidade e segurança. Andreia Kahout, da ABCF, ressalta a dificuldade do consumidor em identificar falsificações quando a embalagem mimetiza o produto legítimo. Rodolpho Ramazzini, diretor da ABCF, classificou a postura dos órgãos como “lamentável” e defende ações de inteligência para rastrear e combater a origem desses materiais.

A Novo Nordisk, fabricante do Ozempic, orienta que medicamentos sejam adquiridos apenas por canais autorizados e com acompanhamento médico. A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, não retornou o contato para posicionamento.

Como identificar medicamentos falsificados

Para evitar cair em golpes, consumidores devem adquirir medicamentos e canetas emagrecedoras apenas em estabelecimentos regularizados e com produtos registrados na Anvisa. É essencial verificar o número de registro do medicamento no órgão regulador, além de conferir lote, validade e informações do fabricante.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Folha de S.Paulo.

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