Justiça Eleitoral ordena remoção de reportagens sobre Nikolas Ferreira
A Justiça Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) determinou a remoção de seis reportagens e publicações em redes sociais do portal ICL Notícias. A decisão atende a um pedido de liminar apresentado pela defesa do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e cabe recurso. As publicações em questão atribuíam ao parlamentar o uso da expressão “lindão” ao se referir ao empresário Daniel Vorcaro, em um áudio datado de março de 2025.
A ação movida pelo deputado, que incluía pedido de direito de resposta e tutela de urgência, visava combater o que sua defesa alega ser uma alteração no áudio original para sugerir uma intimidade indevida entre Ferreira e o banqueiro. Ao analisar a gravação anexada ao processo, o juiz auxiliar Jair Francisco dos Santos, relator do caso, constatou que o deputado se dirigia a Vorcaro apenas pelo apelido “Dani”, sem utilizar a palavra “lindão”.
O magistrado considerou que a “violação à integridade do sistema informativo” foi demonstrada e, com base nisso, concedeu um prazo de 24 horas para que o ICL Notícias e a Meta (empresa dona do Facebook e Instagram) retirem do ar os links específicos que veicularam a transcrição considerada incorreta. A defesa de Nikolas Ferreira argumentou que as reportagens alteraram trechos do áudio para criar uma falsa impressão.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelo TRE-MG e reportagens do ICL Notícias.
Trechos sobre mineração e opiniões jornalísticas mantidos
Por outro lado, a decisão do TRE-MG negou os pedidos de remoção de reportagens e vídeos que continham análises e opiniões jornalísticas sobre o conteúdo do áudio, incluindo comentários de autoria dos jornalistas envolvidos. O juiz também rejeitou a alegação de inverdade sabidamente falsa em relação ao trecho que abordava o “ativo de minério”.
Segundo a decisão, o fato de o deputado ter procurado um interlocutor para intermediar contatos sobre pendências de um ativo minerário de um conhecido “abre espaço para discussão política e não configura violação à legislação eleitoral”. A empresa representada pelo ICL Notícias tem agora 24 horas para apresentar sua defesa, após o que o Ministério Público Eleitoral emitirá parecer.
Repercussão e acusações de censura
A jornalista Juliana Dal Piva, autora de uma das reportagens, classificou a decisão como “censura” em suas redes sociais. “O que posso dizer até agora é: fui CENSURADA por um pedido de Nikolas Ferreira”, publicou. O tema também foi palco de uma ação de “guerrilha de rede social” promovida pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que teria publicado um vídeo falso de retratação, enganando diversos perfis online.
A reportagem tentou contato com o ICL Notícias para obter um posicionamento e aguarda resposta. O espaço permanece aberto para considerações da editora.
