Terapia EMDR ajudou vítima a lembrar de abusos e levar agressor à Justiça
Terapia EMDR ajudou vítima a lembrar de abusos e levar agressor à Justiça

Terapia EMDR ajudou vítima a lembrar de abusos e levar agressor à Justiça

A força da memória e a cura através da terapia Nikita Dallison, hoje com 36 anos, guardava as dolorosas lembranças dos abusos sexuais que ela e sua irmã mais nova, Mellissa Arkwright, de 35 anos, sofreram nas mãos de seu meio-irmão, Adrian Austin, quando tinham apenas seis e sete anos. No entanto, Mellissa, por muitos […]

Resumo

A força da memória e a cura através da terapia

Nikita Dallison, hoje com 36 anos, guardava as dolorosas lembranças dos abusos sexuais que ela e sua irmã mais nova, Mellissa Arkwright, de 35 anos, sofreram nas mãos de seu meio-irmão, Adrian Austin, quando tinham apenas seis e sete anos. No entanto, Mellissa, por muitos anos, não conseguia se recordar dos traumas. Foi somente após Nikita corajosamente denunciar os crimes à polícia em 2021 que Mellissa decidiu buscar ajuda profissional através da terapia EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por meio de Movimentos Oculares). Essa abordagem terapêutica, que envolve estímulos visuais, auditivos ou táteis intermitentes, foi fundamental para desbloquear memórias reprimidas e iniciar o processo de cura.

A terapia EMDR, descrita por Mellissa como um processo inicialmente “horrível” por reviver intensamente as emoções do passado, permitiu que ela recuperasse uma lembrança específica e crucial para o caso. “Quando você recebe a terapia, pode sentir o ambiente que havia no quarto no momento em que a lembrança foi desbloqueada”, explica Mellissa. A recuperação dessa memória detalhada se tornou uma peça chave nas provas que levaram à condenação de Adrian Austin, hoje com 45 anos.

As informações sobre os abusos e a eficácia da terapia EMDR foram reunidas com base em relatos de Nikita Dallison, Mellissa Arkwright e declarações do inspetor Chris Preston e da detetive Rebecca Lovekin, da polícia da região metropolitana de Manchester.

Condenação e justiça após anos de silêncio

Adrian Austin foi preso em julho e posteriormente condenado a 17 anos de prisão. Ele foi declarado culpado de seis acusações de estupro de menor de 13 anos, além de quatro crimes de agressão sexual e um de atos indecentes contra menor de idade, cometidos entre 1997 e 2001. Para Mellissa, a condenação de seu agressor representou um alívio imenso e a concretização da justiça pelas meninas que ela um dia foi. “Foi algo surreal e acredito que nunca chorei tanto quanto naquele dia. Foi como se tivessem tirado um grande peso de cima dos meus ombros. Eu sabia que tudo havia terminado. Ele não pode prejudicar mais ninguém”, desabafou.

A decisão das irmãs de renunciarem ao anonimato, direito automático de vítimas de crimes sexuais no Reino Unido, demonstra a força de seu desejo de expor a verdade e encorajar outras vítimas. Os abusos tiveram início quando Austin, então com dez anos, mudou-se para a casa da família. Nikita recorda o comportamento inadequado do meio-irmão, que evoluiu de pedidos de exibição de roupas íntimas para toques físicos, marcados por medo e pavor na infância.

O papel da polícia e a evolução das investigações

A denúncia de Nikita à polícia em 2021 ocorreu quando seus próprios filhos tinham a mesma idade em que ela sofreu os abusos, o que a motivou a buscar justiça. O inspetor Chris Preston relatou que, ao conversar com Mellissa, que passava por uma crise de saúde mental e não se lembrava dos abusos, a investigação avançou com a recuperação de memórias através da terapia EMDR. O testemunho de Mellissa, que detalhou o quarto, o estrado da cama e até mesmo o espaçamento entre os dentes de Austin durante os crimes, foi considerado crucial e claro pelo perito que atuou no julgamento.

Investigações posteriores revelaram que a polícia já havia ouvido Mellissa sobre os abusos em 1997, mas o caso não progrediu. Acredita-se que os pais das irmãs, sob um lema familiar de manter os problemas dentro de casa, tenham se colocado ao lado de Austin. Em 2021, a investigação confirmou que os pais tinham conhecimento dos abusos. A fita VHS com a gravação da conversa de Mellissa com a polícia em 1997 foi encontrada e incluída como prova no julgamento.

A detetive Rebecca Lovekin reconheceu a coragem das irmãs e pediu desculpas pela condução da investigação inicial em 1997, afirmando que a polícia evoluiu significativamente na abordagem de casos de abuso sexual histórico. “A polícia da região metropolitana de Manchester, hoje, fez justiça para as meninas e colocou Austin atrás das grades”, concluiu Lovekin.

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