Polícia Federal desvenda conexões entre Fábio Luís Lula da Silva e figuras investigadas
A Polícia Federal obteve, por meio de quebra de sigilo autorizada pela Justiça, comunicações diretas entre Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. As mensagens revelam tratativas de negócios, orientações sobre a emissão de notas fiscais e indicam uma proximidade entre o filho do presidente e pessoas sob investigação por tráfico de influência, contrariando declarações anteriores.
As conversas, datadas entre julho de 2023 e março de 2024, apontam para uma relação de amizade e cooperação profissional. Em um dos diálogos, Lulinha instrui Luchsinger a emitir uma nota fiscal para um empresário também investigado. Em outra ocasião, a lobista descreve que ambos atuam em um “nível diferenciado” e vislumbra um futuro na Suíça. Lulinha também menciona encontros com membros do governo federal, levantando suspeitas de que um canal de acesso privilegiado pudesse estar sendo utilizado de forma indevida, o que a PF agora apura.
As informações foram reunidas a partir de dados apurados pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.
Ex-chefe de gabinete de Lula surge em diálogos sobre joias
As investigações também trouxeram à tona a participação de Marco Aurélio Santana Ribeiro, ex-chefe de gabinete do presidente Lula, nos diálogos interceptados. Segundo a apuração, em abril deste ano, Ribeiro trocou mensagens com Roberta Luchsinger sobre a aquisição de joias, incluindo diamantes e solitários, com custo aproximado de nove mil reais. A suspeita dos investigadores é que o pagamento de despesas e o oferecimento de presentes luxuosos por parte da lobista fossem uma estratégia para obter influência e acesso facilitado aos círculos mais próximos do governo federal.
Lulinha é alvo de múltiplos inquéritos
Atualmente, Fábio Luís Lula da Silva está sob investigação em três inquéritos principais. O primeiro apura uma suposta atuação junto ao Ministério da Saúde para beneficiar a venda de produtos derivados de cannabis medicinal. O segundo investiga se o empresário teria intercedido para favorecer grupos empresariais em contratos com a Dataprev e outros órgãos públicos. Um terceiro inquérito, impulsionado pelas novas descobertas, foca em suspeitas de negócios ilícitos e tráfico de influência em geral, conectando fatos de outras operações da Polícia Federal.
Defesas criticam vazamento e alegam perseguição política
A defesa de Lulinha reagiu com veemência às revelações, classificando o vazamento das mensagens como um crime de violação de sigilo funcional. Os advogados argumentam que os trechos divulgados são seletivos e que as instituições estariam sendo usadas para fins políticos e eleitorais. Afirmam, ainda, que Lulinha vive de forma modesta na Espanha, trabalhando na iniciativa privada, e que não há provas de irregularidades. A defesa de Roberta Luchsinger optou por não se manifestar, alegando que os autos do processo tramitam em sigilo.
