Disputa presidencial expõe visões radicais para a segurança pública
Longe dos holofotes e do tempo de TV dos grandes debates, candidatos à Presidência considerados “nanicos” apresentam diagnósticos e soluções radicalmente distintos para a crise de segurança pública no Brasil. Enquanto as campanhas com maior orçamento tendem a focar em propostas pragmáticas e incrementais, os partidos de menor representatividade usam o pleito para dar visibilidade a diretrizes que desafiam o desenho institucional do Estado e reforçam suas bandeiras ideológicas.
De um lado, candidaturas da esquerda radical questionam pilares da atuação policial tradicional, propondo desde a desmilitarização e unificação das polícias até a dissolução total das forças de segurança, criação de milícias populares e legalização de drogas. Em substituição ao modelo atual, defendem mecanismos de controle social direto, como a eleição de juízes e delegados.
Na outra ponta do espectro, plataformas mais alinhadas à direita ou ao campo liberal-conservador apostam na eficiência operacional e no endurecimento do combate ao crime organizado. Priorizam o sufocamento financeiro de facções, a intensificação de inteligência e monitoramento em fronteiras, isolamento rigoroso de líderes em presídios de segurança máxima e integração de forças de segurança.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pelas campanhas eleitorais dos respectivos candidatos.
Esquerda Radical: Desmilitarização, Legalização e Controle Social
Candidatos como Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO) e Hertz Dias (PSTU) defendem propostas que visam uma profunda reestruturação do sistema de segurança. Entre as pautas comuns estão o fim da Polícia Militar (PM), a desmilitarização e unificação das polícias em uma instituição civil, e o combate à violência de Estado, especialmente contra a população negra. A legalização ou descriminalização das drogas é outra bandeira forte, vista como forma de desmantelar o poder do tráfico e reduzir o encarceramento em massa, como defende Edmilson Costa (PCB).
A ideia de controle social direto aparece em propostas como a eleição de juízes e delegados, a reorganização de conselhos de segurança em assembleias populares e o estímulo à autodefesa comunitária. Hertz Dias (PSTU) também propõe o fim da Justiça Militar e a punição de torturadores e criminosos de Estado, além da implementação de câmeras corporais para todos os agentes de segurança.
Direita e Liberal-Conservadores: Intensificação e Tecnologia no Combate ao Crime
Do lado oposto, candidaturas como a de Augusto Cury (Avante) focam na integração nacional das forças de segurança, criação de forças municipais e uso intensivo de tecnologias de monitoramento, como drones e inteligência artificial. A proposta busca maior eficiência operacional e inteligência no combate ao crime organizado e ao narcotráfico.
Clariana Barão (DC) e o Veterinário Wilson Grassi (Democrata) também priorizam o controle de fronteiras, o sufocamento financeiro das facções criminosas e a melhoria do sistema prisional. Grassi sugere o uso das Forças Armadas na “guerra às drogas” e um investimento mínimo de 2% do PIB em segurança pública, além da valorização das carreiras da área.
Diferentes Visões de Estado
Ao tensionar os limites do que é proposto para a área, os programas desses candidatos expõem diferentes visões ideológicas sobre o papel do Estado, o uso da força legítima e os caminhos para a garantia da ordem e do direito à cidadania. Enquanto um lado advoga por uma profunda reforma democrática e social do aparato de segurança, o outro aposta no fortalecimento das estruturas existentes e na aplicação de medidas mais rigorosas e tecnológicas contra a criminalidade.
