Paciente alega negligência após queda em centro cirúrgico e danos permanentes na mão operada
Um paciente de 49 anos, Fabiano Assanuma, entrou com um processo contra o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, após cair da mesa de cirurgia enquanto ainda estava sob efeito de sedação. O incidente ocorreu em outubro de 2025, logo após uma cirurgia na mão esquerda para tratamento de síndrome do túnel do carpo. Segundo o relato na ação judicial, Fabiano foi deixado na mesa de operações sem qualquer tipo de contenção física após a retirada da máscara de ventilação, o que teria levado à sua queda.
A queda, que ocorreu justamente do lado esquerdo, fez com que Fabiano atingisse a mão que acabara de ser operada. Ele descreve ter acordado confuso, com grande quantidade de sangue no chão e em sua mão. O hospital informou que ainda não foi citado pela Justiça e que prestará todos os esclarecimentos nos autos do processo. O cirurgião responsável pela operação, Yussef Ali Abdouni, e o anestesista, Oswaldo Miranda Júnior, também são alvos da ação, mas não responderam aos contatos da reportagem até a publicação desta matéria.
Agravamento do quadro e busca por socorro
Fabiano relata que, mesmo após a queda sobre a mão operada, recebeu alta com uma avaliação considerada inadequada pelo cirurgião, que teria minimizado o ocorrido como um “acidentezinho”. No dia seguinte à cirurgia, a dor na mão intensificou-se progressivamente. Sem obter retorno do cirurgião, Fabiano procurou o pronto-socorro do Sírio-Libanês, onde recebeu diversas medicações, incluindo morfina, mas afirma que a causa da dor não foi investigada e que foi liberado sem exames de imagem.
A situação piorou drasticamente na madrugada do dia 31 de outubro, com dores descritas como insuportáveis, tremores, crises de choro e uma sensação de queimação intensa na mão. Levado por uma amiga ao Hospital São Camilo, o paciente foi avaliado com suspeita de síndrome compartimental, uma emergência médica que pode levar à perda do membro. O médico recomendou retorno imediato ao Sírio-Libanês para acionar o cirurgião responsável.
Novo procedimento e hemorragia arterial
Ao retornar ao Sírio-Libanês, Fabiano foi informado pelo cirurgião de que havia um coágulo no curativo, que necessitaria ser removido com a reabertura do corte cirúrgico. Durante o procedimento manual para a remoção do suposto coágulo, Fabiano descreve manobras intensamente dolorosas. Cerca de 40 minutos após a abertura do corte, sem a identificação de coágulo, ocorreu um extravasamento súbito de sangue arterial em jato intenso, atingindo paredes, o rosto do médico e seu jaleco.
O paciente precisou ser transferido às pressas para uma área de emergência e foi submetido a uma nova cirurgia, desta vez com um cirurgião vascular. A gravidade da situação foi evidenciada por uma requisição interna ao banco de sangue, que alertava sobre o risco de óbito em 15 minutos caso o suprimento não fosse fornecido a tempo, conforme alegam os advogados Leandro Oliveira, Tiziana Machado e Patrícia Gavronski, que representam Fabiano.
Danos neurológicos e sequelas permanentes
Na ação judicial, Fabiano pede indenização por danos morais no valor de 500 salários mínimos, além de pensão mensal e reembolso de despesas com fisioterapia e tratamento psicológico. Ele alega ter sofrido destruição completa dos tecidos neurológicos da mão, resultando em perda total do tato, impossibilidade de movimentar os dedos, falta de força e ausência de percepção de pressão e temperatura em toda a mão. Segundo o paciente, a recuperação demandará pelo menos dois anos de reabilitação e já impacta severamente suas atividades rotineiras, como cozinhar, vestir-se, higiene pessoal, trabalhar e usar o celular.
Fabiano expressou sua decepção, afirmando ter escolhido o Sírio-Libanês pela sua reputação e que jamais imaginou passar por uma situação como essa. O hospital reafirmou seu compromisso com a segurança e o cuidado dos pacientes, mas o processo ainda aguarda julgamento.
