Oposição mira Alexandre de Moraes e diretor-geral da PF
Líderes da oposição no Senado e na Câmara, Rogério Marinho (PL-RN) e Cabo Gilberto Silva (PL-PB), respectivamente, apresentaram nesta terça-feira (1º) uma série de pedidos formais que visam à prisão preventiva e ao afastamento do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal (STF), além do afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. As solicitações foram motivadas pela divulgação de informações de investigações sobre o Banco Master, que apontam supostas ligações entre o ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e o ministro Moraes.
A articulação da oposição, que também incluiu o partido Novo e o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), culminou na apresentação de uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR). O documento acusa Moraes de possíveis crimes de tráfico de influência e obstrução de investigação de organização criminosa, requerendo seu afastamento cautelar e prisão preventiva. Os parlamentares argumentam que a permanência do ministro em seu cargo poderia comprometer a integridade das investigações em curso.
Mensagens indicam suposta atuação de Moraes em favor de Daniel Vorcaro
A notícia-crime baseia-se em mensagens eletrônicas apreendidas pela Polícia Federal durante a investigação do Banco Master. De acordo com os autores da representação, as conversas sugerem que Daniel Vorcaro teria buscado a influência de Alexandre de Moraes para interceder junto a autoridades públicas, incluindo Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF, e Paulo Gonet, procurador-geral da República. O empresário, segundo a representação, almejava obter “proteção” e tentava, por meio de Moraes, retardar ou impedir medidas relacionadas à Operação Compliance Zero.
Os parlamentares da oposição interpretam a atuação atribuída a Moraes como a de um “conselheiro, guru ou consultor político e jurídico” de Vorcaro. O objetivo da PGR, conforme solicitado na notícia-crime, é apurar se essa conduta extrapolou os limites legais e configurou os crimes de tráfico de influência ou obstrução das investigações. Em coletiva de imprensa, Rogério Marinho enfatizou a necessidade de uma investigação independente, declarando: “Não estamos aqui fazendo julgamento. Estamos pedindo investigação. Os fatos são graves e precisam ser esclarecidos”.
Contrato de R$ 131 milhões liga esposa de Moraes ao Banco Master
A representação da oposição também estabelece uma conexão entre as mensagens e um contrato de R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a notícia-crime, o ministro teria utilizado suas credenciais de acesso para modificar a minuta deste contrato, que previa pagamentos mensais de R$ 3 milhões por 36 meses, totalizando cerca de R$ 80 milhões já desembolsados. Os parlamentares levantam a suspeita de que esses pagamentos possam estar relacionados à suposta interlocução de Moraes em favor de Vorcaro. “É preciso saber por que um ministro do Supremo estava editando o contrato da própria esposa com o Banco Master”, questionou Marinho.
Outro ponto levantado na notícia-crime é uma mensagem em que Vorcaro teria consultado Moraes sobre a conveniência de deixar o país antes de uma eventual prisão. Para a oposição, este diálogo sugere que o empresário poderia ter recebido informações sigilosas sobre o andamento da investigação.
Pedidos de sessão pública no STF e afastamento de Andrei Rodrigues
Paralelamente à notícia-crime, Marinho e Cabo Gilberto Silva enviaram um ofício ao presidente do STF, Edson Fachin, solicitando uma sessão presencial e pública do plenário para analisar os elementos reunidos pela Polícia Federal, incluindo mensagens e documentos apreendidos. “Não é possível que um caso dessa gravidade seja tratado apenas nos bastidores”, declarou Marinho, defendendo a transparência no processo.
Em um ofício separado dirigido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os líderes da oposição pediram o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da diretoria-geral da Polícia Federal. A solicitação é fundamentada na mensagem que menciona a necessidade de “proteção de Andrei e de Paulo”, e pede esclarecimentos sobre o contato de Rodrigues com Vorcaro e o possível acesso a informações sigilosas. Os parlamentares argumentam que a permanência de Rodrigues no cargo poderia comprometer a preservação de documentos e a condução das diligências. Além disso, o partido Novo e outros parlamentares da oposição apresentaram um novo pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes.
