OMS estima controle da epidemia em três meses, mas alerta para desafios
A Organização Mundial da Saúde (OMS) expressou otimismo quanto à possibilidade de reverter a tendência de crescimento da epidemia de ebola na República Democrática do Congo (RDC) no prazo de três meses. A doença, que surgiu na província de Ituri, tem apresentado uma propagação mais acelerada que as anteriores, com 4.449 casos confirmados e 2.061 óbitos registrados até o momento.
O diretor do programa de alerta e resposta de emergência da OMS, Abdirahman Mahamud, afirmou que, se todas as estratégias de controle forem aplicadas simultaneamente nas cinco zonas de transmissão, uma mudança de tendência é esperada em até três meses. No entanto, a organização ressalta que isso não significa o fim da epidemia no mesmo período. A OMS explicou à AFP que, mesmo após o controle da transmissão, a vigilância e as ações de resposta continuarão para prevenir o ressurgimento do vírus e consolidar os avanços alcançados.
A duração total da epidemia, segundo a OMS, dependerá da evolução da transmissão e da eficácia das medidas de resposta implementadas. A RDC declarou sua 17ª epidemia de ebola em 15 de maio, com algumas semanas de atraso. Dois dias depois, a OMS elevou o alerta, declarando uma emergência de saúde pública de importância internacional, seu segundo nível de alerta mais alto.
A complexidade da situação é agravada pela insegurança em regiões afetadas, onde a presença de grupos armados e a desconfiança da população dificultam as ações de saúde pública. O ebola, transmitido pelo contato com fluidos corporais, causa febre hemorrágica e já foi responsável pela morte de mais de 15 mil pessoas na África nos últimos 50 anos.
Desafios e contexto da epidemia
Chikwe Ihekweazu, chefe do programa de gestão de emergências sanitárias da OMS, indicou que ainda é prematuro determinar o início exato da epidemia atual, mas as estimativas apontam para um começo dois a três meses antes da declaração de emergência internacional. A epidemia se alastra por províncias do nordeste e leste da RDC, áreas densamente povoadas com infraestrutura sanitária precária e presença estatal fragilizada, o que intensifica os desafios para o controle da doença.
As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
