O Fim de uma Ilusão Ideológica
Em 1999, a visão de mundo de um jornalista estava intrinsecamente ligada ao socialismo, comparado a um sapo que via o céu apenas como um buraco no teto de sua caverna. Embora uma recente epifania religiosa tivesse reaberto sua fé em Deus, a mente ainda permanecia cativa das promessas revolucionárias da ideologia.
Trabalhando em um sindicato de jornalistas, localizado em um fundo de vale, a rotina matinal era marcada pela vista de uma trilha de terra. Este caminho, frequentado por trabalhadores e crianças, evocou a parábola bíblica do bom samaritano e a jornada de Jerusalém a Jericó, cidade que simbolizava o abismo de enganos em que o autor se encontrava.
A visão de uma piscina abandonada nos fundos do sindicato refletia um sentimento de inutilidade. A notícia da divisão interna do PT sobre denúncias de corrupção contra o prefeito da época intensificou o desconforto, um amargor que transcendia a ressaca matinal. Conforme informações relatadas pelo próprio jornalista.
O Confronto com a Realidade Ideológica
Uma lembrança incômoda de zombar do sacrifício de Jesus Cristo em uma conversa regada a álcool com colegas de partido ressurge com vergonha. Aquele momento de desrespeito à fé, ocorrido no mesmo local onde funcionava um bar agora fechado, serviu como um catalisador para a introspecção.
De volta à sua sala, a curiosidade o levou ao site do professor Olavo de Carvalho. O artigo “Que é ser socialismo?” trazia citações contundentes: “O socialismo matou mais de 100 milhões de dissidentes e espalhou o terror, a miséria e a fome por um quarto da população da Terra.” E ainda: “Ser esquerdista é mergulhar as mãos em sangue e fezes jurando que as banha nas águas lustrais de uma redenção divina.”
A Ruptura e o Recomeço
Essas palavras não eram totalmente novas para o autor, que nos dois anos anteriores vinha estudando a história do movimento revolucionário e percebendo sua natureza destrutiva. Contudo, naquele instante, a percepção de sua própria cumplicidade com essa “trama demoníaca” se tornou avassaladora. A sensação de ter acreditado em uma mentira que, ao longo de três décadas, contribuiu para a devastação do país, gerou um profundo remorso.
Naquela manhã de outubro de 1999, a decisão foi tomada. Desligou o computador, levantou-se e deixou o sindicato, prometendo nunca mais retornar. A saída daquele “poço” marcou o início de uma peregrinação pessoal em busca da verdade, uma jornada que, segundo o relato, perdura até os dias atuais.
