Magreza extrema após os 40: um risco crescente para a saúde feminina
Magreza extrema após os 40: um risco crescente para a saúde feminina

Magreza extrema após os 40: um risco crescente para a saúde feminina

A pressão estética e seus perigos para mulheres maduras A volta da magreza extrema como padrão estético, que remonta aos anos 1990, não se restringe mais a jovens. Celebridades como Olivia Wilde, Nicole Kidman e Demi Moore, na casa dos 40, 50 e 60 anos, têm exibido corpos cada vez mais delgados, impulsionando uma tendência […]

Resumo

A pressão estética e seus perigos para mulheres maduras

A volta da magreza extrema como padrão estético, que remonta aos anos 1990, não se restringe mais a jovens. Celebridades como Olivia Wilde, Nicole Kidman e Demi Moore, na casa dos 40, 50 e 60 anos, têm exibido corpos cada vez mais delgados, impulsionando uma tendência que, para mulheres acima dos 40, pode trazer sérias consequências à saúde. A busca por um corpo esquálido nessa fase da vida intensifica riscos já presentes com o envelhecimento natural, como perda de massa magra, desnutrição e osteoporose, especialmente quando aliada a dietas inadequadas.

No Brasil, esse cenário é evidenciado pelo alto consumo de canetas emagrecedoras por mulheres na faixa dos 47 anos, conforme aponta um levantamento recente. Fatores como as mudanças físicas e sociais da menopausa, que incluem o acúmulo de gordura abdominal e o surgimento de rugas, somados à pressão estética intensificada pela era digital, criam um ambiente de vulnerabilidade. Essa combinação pode levar a uma busca desesperada por um corpo mais jovem e magro, muitas vezes sem acompanhamento médico.

As informações foram reunidas a partir de dados divulgados pela Folha, International Journal of Eating Disorders, Society of Interventional Radiology, Scientific Reports (Nature) e declarações de especialistas como Fátio Salzano, psiquiatra e vice-coordenador do Programa de Transtornos Alimentares do IPq (USP), e Karen de Marca, endocrinologista e presidente eleita da SBEM.

O impacto psicológico e fisiológico da magreza forçada

A psiquiatria aponta que a meia-idade é um período de vulnerabilidade, onde alterações físicas e sociais podem desencadear inseguranças. A menopausa traz consigo mudanças corporais naturais, como a redistribuição de gordura e a perda de elasticidade da pele, que, ao serem confrontadas com um ideal de magreza extrema perpetuado pela mídia e redes sociais, podem levar a um estresse psíquico significativo. Essa pressão cultural, que associa magreza e juventude a sucesso e felicidade, pode ser devastadora.

Estudos indicam que a menopausa pode ser um período tão crítico para o desenvolvimento de transtornos alimentares quanto a puberdade. Fatores como histórico familiar de doenças psiquiátricas, inatividade social, alterações na autoimagem e a exposição a dietas restritivas, com ou sem uso de medicamentos, aumentam o risco. O problema se agrava quando a perda de peso excessiva, em vez de gerar preocupação, é recompensada com elogios, reforçando comportamentos prejudiciais.

Riscos à saúde óssea, muscular e cardiovascular

A busca por um corpo extremamente magro após os 40 anos, com restrição severa de calorias, nutrientes e minerais essenciais como o cálcio, eleva consideravelmente o risco de osteoporose e fraturas. Além disso, dietas muito restritivas podem comprometer a saúde cardiovascular, levando a arritmias e outras doenças. A falta de nutrientes também se reflete na aparência, com cabelos e unhas quebradiços, e pele envelhecida.

A perda de massa muscular, um efeito colateral comum de dietas extremas, é particularmente preocupante. O músculo é hoje reconhecido como um órgão regulador do metabolismo, essencial para a sensibilidade à insulina e para a melhora metabólica. Ao perder massa muscular, perde-se também um benefício crucial para a saúde geral. Um estudo publicado no Scientific Reports, da Nature, em 2023, inclusive, sugeriu um efeito protetor da gordura em mulheres mais velhas, com maior mortalidade associada a índices de massa corporal (IMC) mais baixos.

Um caminho para o bem-estar sem radicalismos

Especialistas ressaltam que o objetivo não é contraindicar o emagrecimento para mulheres acima dos 40, mas sim promover uma abordagem consciente e saudável. Qualquer estratégia de perda de peso deve ser acompanhada de treino de força, aporte adequado de proteínas, cálcio e vitaminas, sempre sob supervisão médica. O foco deve ser na saúde e no bem-estar, e não em padrões estéticos inatingíveis e potencialmente danosos.

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